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sexta-feira, 29 de maio de 2009

João Piedade (19??-2009)

Foi ontem à terra um pedaço de mim, um homem que me viu nascer e crescer até à adolescência em paz, conforto e muito afecto. Em 30 anos continuei a crescer e a voar longe, e fui sabendo do declínio e das maleitas próprias da idade e da maldade sem fim que João Piedade não merecia. Morreu num hospital de Lisboa de uma daquelas infecções colaterais que não perdoam. Mas a doença não o venceu! Morreu sem fama, longe da glória, injustamente atirado para um canto sem sombra da história de Angola.

Foi ontem à terra um pedaço de mim.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Cocaine

Arthur



Há 30 anos que nada sei de Rick, the magician, mas neste entretanto em que a História tanto avançou nada por aqui mudou. Ou será este registo apenas e só saudade de um tempo que passou e não torna?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Uma data que viverá na infâmia

Franklin Roosevelt recebeu as notícias sobre o ataque à base militar norte-americana em Pearl Harbor, reuniu com os seus assessores e, depois, escreveu o texto do pedido de declaração de guerra ao Japão que haveria de propor ao Congresso.

No dia seguinte, 8 de Dezembro de 1941, o presidente dos EUA dirigiu-se ao Congresso com um dos seus discursos mais famosos:

“Sr. vice-presidente, e sr. presidente, e membros do Senado, da Câmara dos Representantes:
Ontem, 7 de Dezembro de 1941, uma data que viverá na infâmia, os Estados Unidos da América foram surpreendidos e deliberadamente atacados pelas forças navais e aéreas do Império do Japão.
Os Estados Unidos estavam em paz com essa nação e, a pedido do Japão, estava-se ainda em conversações com o seu Governo e o seu imperador, procurando manter a paz no Pacífico. Efectivamente, uma hora depois dos esquadrões aéreos japoneses começarem a bombardear Oahu, o embaixador japonês nos Estados Unidos e o seu colega entregaram ao secretário de Estado uma resposta formal à recente mensagem norte-americana. Esta resposta referia que parecia inútil continuar com as negociações diplomáticas existentes, mas não continha a possibilidade de um golpe de guerra ou de um ataque armado.
É de registar que, dada a distância do Havai ao Japão, parece óbvio o ataque ter sido deliberadamente planeado desde há muitos dias ou mesmo semanas atrás. Durante o ataque, o governo japonês procurou deliberadamente enganar os Estados Unidos com afirmações falsas e expressões de esperança na continuação da paz.
O ataque de ontem às ilhas do Havai causou sérios danos às forças navais e militares norte-americanas. Perderam-se muitas vidas norte-americanas. Adicionalmente, foi relatado que alguns navios norte-americanos foram torpedeados em alto-mar, entre São Francisco e Honolulu.
Ontem o governo japonês também lançou um ataque contra a Malásia. Esta noite, forças japonesas atacaram Hong Kong. Esta noite, forças japonesas atacaram Guam. Esta noite, forças japonesas atacaram as ilhas das Filipinas. Esta noite, forças japonesas atacaram a ilha de Midway.
Portanto, o Japão iniciou uma ofensiva surpresa estendendo-se a toda a área do Pacífico. Os factos de ontem falam por si. O povo dos Estados Unidos já formaram as suas opiniões e compreendem bem as implicações para a própria vida e segurança da nação.
Como comandante-em-chefe do Exército e Marinha, ordenei que sejam tomadas todas as medidas para a nossa defesa. Iremos sempre recordar o carácter do ataque perpetrado contra nós. Não importa o quanto irá demorar para superar esta invasão premeditada, o povo norte-americano no seu justo poder vencerá até à vitória absoluta.
Acredito que interpreto a vontade do Congresso e do povo, quando asseguro que não só nos iremos defender até ao impossível mas iremos assegurar que esta forma de traição nunca mais nos volte a ameaçar. As hostilidades existem. Não existem dúvidas no facto do nosso povo, o nosso território, e os nossos interesses estarem em grande perigo.
Com confiança nas nossas forças armadas – com a grande determinação do nosso povo – nós iremos alcançar o triunfo inevitável – por isso, Deus ajuda-nos.
Peço ao Congresso para declarar, devido ao não provocado ataque cobarde do Japão no domingo 7 de Dezembro, que existe um estado de guerra entre os Estados Unidos e o império do Japão”.

A declaração foi aprovada, praticamente por unanimidade, no Senado e na Câmara dos Representantes, e três dias depois, os aliados do Japão, Alemanha e Itália, declaram guerra aos Estados Unidos da América.

Do resto da História sabemos nós.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Conversa de elefantes...

Gustavo, já sei que não vais ter memória de elefante, e esquece lá o careca baixista, curte o resto...

Better than this?! I can't believe you!!! Just only, the A...

:-)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Aqualung

Para abrir o apetite a um Novo Ano que aí está à porta.
Lá para o começo de 2009 vêm aí “performances” de semelhante quilate!
:-)

The Colony of Slippermen

... e outras que de tão antigas parecem ter perdido sentido com o tempo. Terão?

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Sky Blue

... e há coisas que são simplesmente tão belas como o nascer do sol, mesmo quando somos capazes de não o ver.

I Grieve

O homem pode dizer o que quiser ao Larry King, ou seja lá a quem for, mas a canção é belíssima. No original é ainda melhor. Triste, é certo, mas terna e bela como deviam ser todas as canções.

Zorba, o cão que morreu de amor e saudade

continuando de visita pela memória, ao meu passado recente. pelo Zorba


Zorba, o cão que morreu de amor e saudade

Zorba nasceu no mato e aí cresceu acarinhado pelos tropas de uma companhia portuguesa em Angola, no tempo colonial. Aprendeu a viver ao lado e do lado dos militares e desenvolveu particularidades que faziam dele um cão respeitado, até pelo cruzamento de raças que faziam ele um bicho não muito grande, do tipo pastor alemão, mas com a força de um leão da Rodésia: uivava religiosamente à alvorada e ao recolher, rosnava e, sempre que podia, mordia nos negros angolanos, e passava o resto do tempo deitado, com o olhar posto lá longe, meio triste.

No fim da comissão militar viajou para Luanda com os seus companheiros de sempre, que sabiam carregar um problema, pois ninguém assumia que garantiria o destino do cão. Mas um familiar de um soldado que preparava as malas para regressar ao “puto” albergou o animal e a demanda foi rápida.

Nos dez anos que se seguiram, Zorba manteve o estilo mas teve uma vida diferente. Estava longe do quartel mas nunca falhou a hora do toque, encostou ao muro da casa vários negros aventureiros que se defendiam das investidas com as suas bicicletas e motorizadas, numa demonstração de racismo sem explicação razoável, e dormia, aterrava o focinho no chão e dormia, dormia talvez embalado pelos sonhos do mato, das corridas lentas e cautelosas dos tempos da guerrilha.

Embora amarrado na frontaria da casa a uma longa corrente de prender vacas e bois, sempre que lhe apetecia desatava os grossos elos de ferro com meia dúzia de puxões e lá ia ele tirar as vistas de miséria. Ninguém sabe por onde andava, apenas que regressava uma, duas semanas depois, magro e com um olhar mais tranquilo, eventualmente aliviado das usuais tensões animais. Deixava-se amarrar à corrente entretanto reparada, dócil, comia, bebia e voltava a dormir.

Na casa que também passara a ser sua, Zorba não tolerava fosse quem fosse que, por hipótese, falasse mais alto que os seus novos donos. Atravessava o corpo à porta da entrada, vigilante, e à saída, veloz, rosnava e ferrava os fundilhos do prevaricador. Com a brincadeira ainda mandou para o hospital um vizinho mais apaixonado por um clube de futebol diferente do dono da casa que ousou bater com a mão na mesa.

Também atravessava o corpo à porta da entrada sempre que a dona sofria mais com as suas enfermidades. Aflita com falta de ar e com o coração fraco, a mulher deitava-se numa espreguiçadeira, no varandim da entrada, porta aberta, e Zorba montava guarda. Assim foi noites e noites a fio, cacimbasse ou não, fizesse chuva ou não, com ou sem calor.

Cada vez mais doente, a dona teve de viajar para local mais recatado, na Europa, onde os médicos e a família a pudessem acudir em caso de necessidade. E, uma noite, dia 25 de Junho de 1975, o coração da mulher, muito fraco, recusou-se a bater mais. Nessa mesma noite, Zorba desatou a uivar de forma imprevista. A triste notícia ainda não tinha chegado pelo telefone já o cão uivava estranhamente, fora de horas e sem interrupção. Nessa mesma noite, Zorba deixou de se alimentar para todo o sempre, como se a greve de fome marcasse o mais veemente protesto contra a infelicidade que também o acometera. Zorba morreu de amor e saudade duas semanas depois, magro como um cão, rouco, com o olhar posto lá longe, profundamente triste.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Declaração de consciência

From the pain come the dream
From the dream come the vision
From the vision come the people
From the people come the power
From this power come the change.


Palavras recentes de um embaixador da Amnistia Internacional perfeitamente ajustáveis à realidade de um qualquer povo em luta e sem perspectivas de um futuro ainda que imediato. Curiosamente, foram proferidas muito antes da eleição de Barack Obama....

Do sofrimento à mudança há, por certo, um longo caminho a percorrer. Da visão, que forçosamente envolve as pessoas, ao poder que o sonho acabou por possibilitar há uma longa travessia íntima, quantas vezes, dolorosa e solitária e, sobretudo, colectiva.

Por isso, enquanto houver injustiça e desigualdade, não estarei tranquilo, a menos que também fisicamente seja vencido.

domingo, 5 de outubro de 2008

"Sou do Sporting porque apertei a mão ao Jesus Correia!"

Chego atrasado, como muitas vezes me acontece (por falta de tempo, quase sempre), mas esta crónica tem para mim uma ironia ainda mais especial, eu que de sportinguista nada tenho.

Os interessados sobre as últimas de Molero podem ler aqui, ou pedir à Antena 1 o registo magnético de uma entrevista de João Paulo Guerra feita em Agosto deste ano.

Continuo a sentir-me cada vez mais pobre. E tenho saudades do Dinis.

sábado, 27 de setembro de 2008

Paul Newman (1925-2008)

O meu mundo está mais pobre. Ontem perdeu uma das suas melhores pessoas.

Visão futurista na terra de Sócrates

O futuro a Magalhães pertence, um computador portátil para cada cidadão.

sábado, 19 de julho de 2008

Desculpem qualquer coisinha

Hoje vou andar por aqui, algures no inferno...