Foi ontem à terra um pedaço de mim, um homem que me viu nascer e crescer até à adolescência em paz, conforto e muito afecto. Em 30 anos continuei a crescer e a voar longe, e fui sabendo do declínio e das maleitas próprias da idade e da maldade sem fim que João Piedade não merecia. Morreu num hospital de Lisboa de uma daquelas infecções colaterais que não perdoam. Mas a doença não o venceu! Morreu sem fama, longe da glória, injustamente atirado para um canto sem sombra da história de Angola.
Foi ontem à terra um pedaço de mim.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
João Piedade (19??-2009)
domingo, 10 de maio de 2009
Histórias do "ranger" Froufe Andrade

"Não sabes como vais morrer" é o título de um novo título da autoria de Jaime Froufe Andrade, incluído na Colecção Memória Perecível, editado pela Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.
Trata-se de um conjunto de oito histórias da guerra colonial que o autor viveu em primeira pessoa durante a sua comissão de serviço em Moçambique, como alferes miliciano de Operações Especiais ("rangers"), entre 1968 e 1970.
São outros tantos retratos da vida que centenas de milhar de jovens portugueses viveram, nos anos da guerra colonial, no meio do "mato", em Moçambique, Angola ou na Guiné-Bissau.
As histórias são escritas com dramatismo, em que cabem momentos de humor, perplexidade, angústia e ansiedade, mas também a profundidade psicológica, que faltam a muitos relatos de guerra.
As pelo menos duas gerações de portugueses que viveram a guerra em África reconhecer-se-ão facilmente nestas linhas escritas por Froufe Andrade.
Noutro capítulo, o autor narra o regresso atribulado de Moçambique a Portugal, a bordo do navio Vera Cruz, sobrelotado com três mil militares.
Quando navegava perto do Cabo da Boa Esperança (o mítico Cabo das Tormentas de Camões), na África do Sul, o enorme navio foi atingido, na sequência do efeito conjunto de duas ondas sísmicas e de uma tempestade, por gigantescas vagas, sofrendo graves avarias e tendo estado a ponto de soçobrar.
As circunstâncias desta viagem são narradas em primeira pessoa por Froufe Andrade e ainda por um conjunto de 12 depoimentos por ele próprio recolhidos junto de outros militares, oficiais, sargentos e praças, que consigo viajaram.
O autor entrevistou ainda o oficial-piloto que estava de turno na ponte de comando do navio e pesquisou ainda o diário de bordo do navio, no Arquivo Central da Marinha, onde recolheu elementos dos dois comandantes que seguiam a bordo, o comandante do navio e o comandante dos militares a bordo.
Jaime Froufe Andrade, nasceu em 1945, no Porto. É jornalista profissional, trabalhou durante muitos anos do Jornal de Notícias e integra actualmente os quadros da revista Notícias Magazine, distribuída semanalmente com o aquele jornal portuense e com o lisboeta Diário de Notícias.
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Helen Suzman (1917-2008)
Foi ao longo de 36 anos a mais célebre activista anti-apartheid branca, quando eram raros os brancos que criticavam o regime segregacionista da África do Sul. Nesse período, Helen Suzman foi também durante 13 anos, a única deputada na Assembleia a condenar abertamente o apartheid – como deputada do Partido Unido, mais tarde no Partido Progressista.
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sexta-feira, janeiro 02, 2009
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
A crise só será vencida em democracia
A Câmara de Representantes dos Estados Unidos da América (EUA) “chumbou” o Plano Paulson, apresentado por George W. Bush e abençoado por Barack Obama e John McCain, que pretendia injectar 700 milhões de dólares no sistema financeiro do país.
Aparentemente, foram os próprios republicanos que roeram a corda a Bush/Paulson/Obama/McCain e, sem pestanejar, a democrata Nancy Pelosi, que preside à câmara, foi clara no que disse logo a seguir: “O que aconteceu hoje não pode ficar assim, temos de seguir em frente “. Até o nosso Teixeira dos Santos se apressou a dizer que as autoridades norte-americanas têm a “responsabilidade” de encontrar uma “rápida solução para resolver a crise financeira”.
Não sei o que acontecerá ao longo desta terça-feira, apesar de já estar agendada nova votação crucial para quinta-feira, mas seguramente será algo de dramático para todo o Mundo. Para o melhor e para o pior. Nem faço a mais pequena ideia da “poção mágica” que possa dar, ainda que relativa, tranquilidade às pessoas.
E não deixa de ser curioso que algumas das ideias expressas por pessoas muito responsáveis – George W. Bush, Nancy Pelosi, Barack Obama, John McCain, Teixeira dos Santos... – apontem, sem margem para grandes equívocos, para um caminho de imposição profundamente desrespeitadora dos mais elementares princípios da democracia, para algo que a União Europeia tentou (tentou?) ensaiar na sequência de outro “chumbo”, o “não” da Irlanda ao Tratado de Lisboa.
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terça-feira, setembro 30, 2008
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Os que também bramam, mas contra os negros de merda
Ponto um: tenho há muito as maiores dúvidas sobre o papel histórico que representam homens como Hugo Chávez ou Evo Morales. Não me parecem totós de todo - como, muitas vezes, se quer fazer crer -, nem se me afiguram como os iluminados como - outras vezes - são apresentados. Aceito, por isso, a forma simplista como Pacheco Pereira retrata a situação presente.
Ponto dois: o penúltimo parágrafo de um dos posts do Abrupto - "Os homens que bramam contra os ianques de merda" - é muitíssimo bem apanhado, perfeito, justo e equilibrado. Por isso, reproduzo-o aqui, com a devida vénia, mas com o pensamento nos deputados recentemente eleitos em Angola: "É verdade que foram legitimamente eleitos, mas convém lembrar que a democracia para existir não se basta no acto eleitoral, implica respeito pela lei, que eles violam todos os dias, e pluralismo político, que eles esmagam pela prepotência do estado e se for preciso, das massas arregimentadas nas ruas."
Ponto três: vou deduzir, espero que sem precipitações, que os que contribuíram para tão estranho processo eleitoral - incluindo aqui a campanha eleitoral, a votação e o apuramento de resultados - não sejam os que também bramam, mas contra os negros de merda!
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sexta-feira, setembro 19, 2008
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Para o Alto Hama
Li com atenção (quase) todos os post's do Alto Hama publicados durante a refrega eleitoral em Angola. A muitos abanei a cabeça negativamente, o Orlando foi, em alguns casos, muito além do que deveria, na linguagem, nas análises e na abordagem dos factos, mesmo dando-lhe o desconto que deve ser dado a quem observa a milhares de quilómetros de distância e com milhões de toneladas de amor e saudade no peito.
Hoje tive uma agradável surpresa, encontrei a melhor (mais bem escrita e documentada) reportagem sobre todo o processo eleitoral angolano e como suspeito que o Orlando não dê de imediato com ela aqui ficam os links: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Evidentemente, a autora tem defeitos e virtudes, como todos nós, ao fim e ao cabo.
Mas a leitura atenta daqueles documentos é imprescindível para comprender muito do que, nas últimas semanas, aconteceu em Angola.
sábado, 14 de junho de 2008
Robert Mugabe, um homem sincero, tem a minha admiração
Em política, e na vida em geral, a sinceridade tem um preço. Robert Mugabe é um homem sincero (não confundir sinceridade com honestidade, por favor...) e por isso ninguém ficará escandalizado se, no mínimo, levar com uma bala bem no meio dos olhos. Os africanos agradecem.
terça-feira, 8 de abril de 2008
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Wild World
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terça-feira, janeiro 22, 2008
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