segunda-feira, 8 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
FANTASBLOCO - Interrogatório a um precário
Filme para um tempo de Antena do Bloco de Esquerda das Europeias 2009, integrado na série Fantasbloco.
Com António Capelo António Simão António Castelo Pedro Carraca Sérgio Grilo Realização: Manuel Pureza Montagem: João Salaviza Fotografia: Vasco Viana Direcção de Arte: Nadia Henriques Figurinos e Assistência de Decoração: Maria Ribeiro Maquilhagem: Rita Álvares Pereira Assistência de Imagem: Inês Pestana Som: Carlos Conceição Produção: Bruno Cabral.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Uma sessão histórica
Uma sessão histórica, aqui na Colina com muito tempo de atraso, eu sei, mas ainda assim emblemática.
(...)
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Muito obrigado, Sr. Deputado. Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado José Manuel Coelho.
José Manuel Coelho (PND): Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia, Excelentíssimas Senhoras e Senhores Deputados. Há 34 anos estava eu no Batalhão de Caçadores 5, em Lisboa, a tirar a especialidade de Transmissões de Infantaria e na noite de 24 para 25 de Abril, pela uma hora da madrugada, o corneteiro tocou na caserna os instrumentos de transmissões de infantaria. Estava a nascer o 25 de Abril. Estou a ver esse dia como se fosse hoje. Nós saímos ajudar as tropas operacionais do Batalhão de Caçadores 5 para a revolução do 25 de Abril que estava em marcha.
Burburinho.
Saímos para a rua, ocupámos o Parque Eduardo VII, prendemos a PSP, prendemos a GNR, prendemos os PIDES que a população indicava, que perseguiam a população portuguesa.
Burburinho geral.
Tive esse grande privilégio de assistir ao nascimento da democracia em Portugal. Agora, desta tribuna, eu queria perguntar aos Excelentíssimos Senhores Deputados Coito Pita e Tranquada Gomes onde é que eles estavam quando veio o 25 de Abril? Queria perguntar a Sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia, que toda a vez que eu vou lá falar com ele me diz “porte-se bem, porte-se bem, está continuamente a me dar lições de moral”, eu queria perguntar ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia onde é que ele estava quando se deu o 25 de Abril? Eu vim para a minha terra confiado que ia ser instaurada a verdadeira democracia nesta terra. Assistimos ao nascimento da autonomia, ao Parlamento autonómico, e eu pensava que tínhamos um Parlamento democrático, pensava que o Partido Social Democrata que era um partido democrático.
Burburinho geral.
...mas comecei por verificar que realmente não era bem assim. O Partido Social Democrata tinha alguns que eram verdadeiros sociais democratas, mas os chefes desse partido não eram sociais-democratas, os chefes desse partido eram reaccionários, eram fascistas, nomeadamente o seu chefe mor, o Dr. Alberto João Jardim.
Protestos do PSD. Burburinho.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Srs. Deputados, eu pedia um pouco mais de silêncio.
José Manuel Coelho: Em 1977, participei nas campanhas da APU e depois verifiquei que havia pessoas dentro do PSD, mandatadas pelo chefe, o chefe fascista, que recebiam ordens para me assassinar. Eu tive três presidentes de câmara do PSD que receberam ordens de Alberto João Jardim para tirar a minha vida, para me matar! Eu uma vez ia às sessões da câmara, no tempo do Paulo Jesus, e as sessões da câmara foram transferidas para a parte da tarde e veio um familiar do Roberto Almada, do Deputado Roberto Almada, falar comigo dizendo assim: “Coelho, você não vá às sessões da câmara na parte da tarde porque eles vão matá-lo, o João da Sorte vai vir e vai-lhe dar um tiro e você vai ser assassinado” e eu deixei de ir às sessões da câmara. Para comprovar aquilo que o familiar ali do meu camarada dizia, em 1980, estávamos numa campanha, pela APU, em Gaula, quando esse famigerado João da Sorte, acompanhado dos capangas do PSD, faz-me um raio para me assassinar. Eu consegui fugir. Eles deram seis tiros num camarada meu, da altura, esse camarada ainda está vivo, o camarada Manuel Teixeira, esse camarada levou seis tiros. Em recompensa por esse serviço prestado ao regime, esse senhor que deu os tiros, o João da Sorte, tem hoje uma rua com o seu nome, no Caniço. Isto não são brincadeiras, não são fait-divers, são verdades! Passou-se comigo. Eu já tive três presidentes de câmara que tentaram me tirar a vida, mandatos pelo chefe fascista, o Alberto João Jardim. Eu actualmente quando vendo o Garajau muitas pessoas dizem-me: “olhe, tome cuidado que o Jaime Ramos pode matá-lo, pode mandar alguém assassiná-lo”. Sem dúvida que nós não vivemos num regime democrático! Nós vivemos num regime ditatorial que está disfarçado numa social-democracia, porque o Partido Social Democrata daqui da Madeira não é o mesmo Partido Social Democrata do Continente, é um partido que não respeita a democracia, é um partido que se puder, mata os democratas. Por isso, eu vim a esta Casa para ajudar o combate do Prof. João Carlos Gouveia, que é preciso derrubar o regime, deitar abaixo este regime facínora e reaccionário, porque o maior perigo que há para a democracia é o conformismo, é as pessoas se acomodarem, os democratas se acomodarem, porque as forças reaccionárias comandadas pelo líder fascista desta terra a pouco e pouco vão tirando as liberdades. Só no espaço dum ano e meio já reviram. vão rever. já reviram portanto o Regimento três vezes! Vão tirando as liberdades. A pouco e pouco os democratas vão cedendo, vão cedendo. Só que não se devem esquecer duma coisa: é que as grandes ditaduras da História evoluíram a partir das democracias parlamentares e foi a cedência dos democratas, o conformismo. Os democratas foram cedendo num ponto, foram cedendo noutro até que democracias parlamentares evoluíram para sanguinárias ditaduras. Temos um exemplo disso em Portugal, no Estado Novo, que também evoluiu duma democracia parlamentar e tornou-se uma ditadura sanguinária. Eu lembro-me do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, quando ele dizia, falando sobre o conformismo que se apoderava dos democratas: “a indiferença é o maior perigo, o maior inimigo da democracia” - dizia Bertolt Brecht, em 1933.
Burburinho.
...que. vieram ter junto dum democrata e disseram: “olha, estão prendendo os comunistas”. Eu não me importei, porque eu não era comunista! Depois disseram-me: “oh! estão prendendo os sindicalistas” e eu também não me importei porque não era sindicalista. Depois “estão prendendo os sacerdotes, os padres”, eu também não me importei porque não era padre, mas depois, tempos depois “ah! mas já estão a prender-me, já estão a levar-me” e não havia já nada a fazer, meus amigos! Portanto, nós temos aqui um Regimento que é atentatório das liberdades democráticas do 25 de Abril, da autonomia, dos ideais de Abril e já é tempo dos democratas desta terra dizerem “basta!”, pôr um travão a esta situação. Não é suficiente ir a Tribunal Constitucional. Está nas nossas mãos hoje, aqui e agora, os democratas, os partidos da oposição desta Casa travar esta ofensiva reaccionária e antidemocrática deste regime jardinista. Basta apoiarem a iniciativa do meu partido, abandonarem este Parlamento, deixarem os parlamentares do PSD falar sozinhos, no seu regime antidemocrático, abandonarem! Não é preciso ir para o Tribunal Constitucional! Nós hoje, se quisermos, podemos fazer o 25 de Abril nesta terra! Podemos boicotar este Parlamento! Podemos sair, abandonar esta Assembleia e fazer trabalho político lá fora.
Burburinho.
Escusa de a gente estar aqui a legitimar esta gente, esta gente que atenta constantemente contra a democracia, contra os direitos de Abril, meus amigos. Os partidos da oposição têm uma palavra a dizer, porque se não tomarem uma atitude firme contra esta gente reaccionária vai acontecer aquilo que aconteceu ao Bertolt Brecht. aquilo que dizia o Bertolt Brecht: a democracia, quando verificarem, já não têm democracia. Nós actualmente já não temos liberdade de expressão.
Protestos do PSD.
Antigamente, um deputado nesta Casa.
Burburinho na bancada do PSD.
...não era julgado por delito de opinião, agora já é!
Protestos do PSD.
Temos um deputado nesta Casa, um grande camarada, um grande lutador que é o Paulo Martins que está a ser julgado nos tribunais por um juiz fascista e vai ser condenado por esse juiz fascista, meus amigos! Não tenham dúvidas!
Burburinho.
Hoje, é o Paulo Martins! Ontem foi o Leonel Nunes que foi condenado por outro juiz fascista. Amanhã será qualquer um de vós. Meus amigos, é preciso combater esta gente reaccionária, esta gente que é contra Abril, esta gente que é contra a autonomia, esta gente quer a ditadura, quer tirar duma vez as liberdades, as poucas liberdades que nós temos neste Parlamento, porque estes senhores do PPD/PSD eles não são sociais democratas, estão travestidos, estão camuflados de sociais democratas, mas eles ao fim ao cabo são da extrema-direita, são fascistas, são pessoas viradas para o 24 de Abril!
Burburinho na bancada do PSD.
Lembrem-se que esta Casa nunca teve a honestidade de celebrar o 25 de Abril. Sempre odiaram o 25 de Abril. Nunca nesta Casa foi celebrado o 25 de Abril, por ordem do chefe fascista supremo que manda nesta terra, que nunca se converteu à democracia. Eu acho que é altura dos democratas dos partidos da oposição perderem a sua passividade e tomarem uma atitude firme. E essa atitude firme, na nossa opinião, não será ir ao Tribunal Constitucional, é fazer o 25 de Abril aqui mesmo, abandonar esta Assembleia, fazer o trabalho político lá fora, deixar eles a falar sozinhos para mostrar ao País inteiro o sistema antidemocrático que se vive aqui nesta Madeira, porque é preciso ver o verdadeiro regime. O verdadeiro regime que governa esta terra não é o regime democrático, é o regime nazi fascista do populista Alberto João Jardim.
Protestos do PSD. Burburinho geral.
Portanto o regime deles, meus amigos, é este! (Neste momento, o deputado desfralda uma bandeira nazi.) O regime desses amigos, destes amigos do Partido Social Democrata é este.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Sr. Deputado.
Protestos do PSD.
José Manuel Coelho (PND): É este regime, é o regime do nazi fascismo do Hitler.
Protestos do PSD.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Sr. Deputado, faz favor.
José Manuel Coelho (PND): São eles, são atiradores deste regime.
Protestos do PSD.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Faz favor de retirar a bandeira.
José Manuel Coelho (PND):... eu trouxe esta bandeira para oferecer ao líder do PSD, o Jaime Ramos.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Estão suspensos os trabalhos.
José Manuel Coelho (PND): ... esta bandeira é para oferecer a ele! Esta bandeira é para oferecer a este covarde, este traidor da Madeira, este fascista.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Eu pedia uma reunião de líderes desde já (...)”
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quarta-feira, dezembro 03, 2008
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
A crise só será vencida em democracia
A Câmara de Representantes dos Estados Unidos da América (EUA) “chumbou” o Plano Paulson, apresentado por George W. Bush e abençoado por Barack Obama e John McCain, que pretendia injectar 700 milhões de dólares no sistema financeiro do país.
Aparentemente, foram os próprios republicanos que roeram a corda a Bush/Paulson/Obama/McCain e, sem pestanejar, a democrata Nancy Pelosi, que preside à câmara, foi clara no que disse logo a seguir: “O que aconteceu hoje não pode ficar assim, temos de seguir em frente “. Até o nosso Teixeira dos Santos se apressou a dizer que as autoridades norte-americanas têm a “responsabilidade” de encontrar uma “rápida solução para resolver a crise financeira”.
Não sei o que acontecerá ao longo desta terça-feira, apesar de já estar agendada nova votação crucial para quinta-feira, mas seguramente será algo de dramático para todo o Mundo. Para o melhor e para o pior. Nem faço a mais pequena ideia da “poção mágica” que possa dar, ainda que relativa, tranquilidade às pessoas.
E não deixa de ser curioso que algumas das ideias expressas por pessoas muito responsáveis – George W. Bush, Nancy Pelosi, Barack Obama, John McCain, Teixeira dos Santos... – apontem, sem margem para grandes equívocos, para um caminho de imposição profundamente desrespeitadora dos mais elementares princípios da democracia, para algo que a União Europeia tentou (tentou?) ensaiar na sequência de outro “chumbo”, o “não” da Irlanda ao Tratado de Lisboa.
às
terça-feira, setembro 30, 2008
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
Mas que pôrra de dia, hein?!
Há dias assim. De um esmorecimento implacável.
Um tipo compra o jornal e lê nas "gordas" três coisas absolutamente fantásticas: a Polícia Judiciária tem uma "secreta", instalada num armazém em Cascais, que faz escutas e vigilância à margem da lei; a Casa Branca diz que se enganou quando disse que Berlusconi lidera um país corrupto; afinal, a ida de Vale e Azevedo à polícia inglesa já estava combinada desde quinta-feira da semana passada.
Um tipo lê, relê, percebe que o jornal não está a brincar connosco, está simplesmente a noticiar o que de facto aconteceu, e fica perplexo. Ainda por cima, logo a seguir entende que, afinal de contas, já não-está outra vez!
quinta-feira, 19 de junho de 2008
sábado, 14 de junho de 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Fundamental! Mas alguém acredita?
Sem necessidade nenhuma, apenas e só aquela vaidadezinha arrogante a que já nos habituou, o homem voltou a meter as mãos pelos pés, os pés pelas patas, as patas pelo...
Enfim , por estes dias vale o circo mesmo sem pão. Fiquemos atentos às notícias sobre os resultados do referendo na Irlanda ao Tratado de Lisboa.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Um mundo à deriva e vazio de ideias
Todos temos (uns mais, outros menos…) a sensação de que o país (e a Europa, e o Mundo…) parece estar a rebentar pelas costuras. Pessoalmente acredito que a crise está aí e para durar. Hoje, ouvi contar uma história que, a ser verdade (um dos intervenientes jura, a pés juntos, que sim), ilustra bem o que acaba de ser escrito: um mundo a desfazer-se aos bocados, sem valores, completamente à deriva e vazio de ideias para resolver os problemas.
Uma empresa, cujo nome não revelo aqui por razões óbvias, necessita de fazer uma contratação para os três meses de Verão, tal como sucede em todos os períodos de férias desde o seu primeiro ano de existência. Os candidatos – escolhidos pelo científico método do conheces alguém que? – apresentaram-se à entrevista marcada e todos ouviram algo deste tipo:
– É um contrato por três meses, de 15 de Junho a 15 de Setembro, e o horário de trabalho é entre as seis da tarde e as duas manhã. Como vem fazer substituições neste período de férias não há folgas e o vencimento será o equivalente ao subsídio de alimentação em vigor na empresa, contra a apresentação de recibo verde. Que tal?
UE ameaça direito social com 91 anos!
Pode ler-se aqui que a União Europeia parece disposta a querer recuar 91 anos em matéria de direitos sociais! O projecto é tão irracional que nem os patrões devem acreditar nele, digo eu, mas sobre o assunto ainda não ouvi rigorosamente nada do senhor ministro Vieira da Silva. Ou será que o Grande Explicador do Código de Trabalho é que vai dizer à malta como é que devia ser?
quinta-feira, 29 de maio de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Reflexões avulsas sobre uma entrevista
A entrevista com que Ferro Rodrigues quebra, hoje, na “Visão”, um silêncio de três anos, depois da sua demissão de secretário-geral do Partido Socialista (PS), justificaria uma cuidada análise por parte de quem pensa a Esquerda Socialista, quase nada pelas coisas “bombásticas” que possam ali ser lidas, muito pelo que é simplesmente sugerido ou serenamente afirmado.
Tenho Ferro Rodrigues em boa conta humana e política, trata-se de alguém que, como outros camaradas com percurso semelhante, caso de Jorge Sampaio, por exemplo, soube manter-se fiel a si próprio e às ideias-base que sempre defendeu. Discordo de muitas delas, muitas mesmo, mas ouço-o/leio-o atentamente: afinal de contas, se há rendimento mínimo em Portugal – com tudo o que isso significa, em termos de alcance político estratégico – a ele se deve; mais, não consigo esquecer a mais clara e evidente tentativa de assassinato político a que já pude assistir em directo.
Por tudo isto – e pelo que aqui não cabe – ficam algumas reflexões avulsas.
“Mesmo com o advento de vários governos de esquerda a nível europeu, percebeu-se que, sem a resolução do défice orçamental, nada é possível. Nem sequer manter um Estado Social com capacidade de resposta”.
No seu tempo, ele próprio o admite, a lógica de raciocínio político era outra. Não se percebe o que é que Ferro Rodrigues percebeu, o que é que perceberam os ditos “governos de esquerda a nível europeu”, não se percebe que “mudanças brutais” aconteceram, em três anos e meio, que levaram a rever um conceito e uma orientação política estratégica. Ficará, para sempre, a dúvida sobre a concomitante falta de capacidade de resposta do Estado Social face à secundarização do problema do défice orçamental: é que, lendo tudo o que tem sido escrito nesta matéria, não há nenhum estudo credível que o sustente – apenas considerações tão válidas e sérias como a que aqui é expressa.
“Aquilo que se passa em Portugal não é muito diferente do que acontece em Espanha, com uma maioria de esquerda, ou em Itália, com um Governo que integra os comunistas. No imediato, os países têm de resolver o problema de viver num mundo globalizado e, depois, voltarão a colocar as alternativas em termos ideológicos”.
Nada de mais estranho e sem grande sentido, sobretudo porque vindo de um homem com formação política na área da Esquerda Socialista. Não só é muito diferente o que acontece em Espanha do que o que se passa em Portugal – Zapatero é, também ele, um neoliberal ao estilo de Sócrates, mas as medidas sociais do seu Governo têm um impacto incomparavelmente superior às de cá, eventualmente na proporção da dimensão física dos dois países – como o anátema do “mundo globalizado” soa, cada vez mais, a desculpa dos incapazes. Em síntese, primeiro arrumamos a casa, e depois pensamos como a gostaríamos de ter. E se, depois, quando voltar a discussão ideológica, já não quisermos a casa arrumada tal como então estiver?
“Quem não reforma, não aguenta. Não é sustentável pensar que os sistemas de educação, saúde e segurança social se podem manter com as regras de há 30 anos. Hoje, não há esquerda se não for reformista”.
Regras com 30 anos de vigência quase nunca em quase nada se poderão manter, mas é cada vez mais espantoso o espaço que ganha a tendência reformista entre o que dista do pensamento social-democrata e os restantes quadrantes à sua esquerda. Ferro Rodrigues, a consciência de esquerda de um certo PS à esquerda, já só acredita na esquerda reformista. Também ele! Como se os portugueses não soubessem muitíssimo bem o que é essa esquerda reformista, e precisamente na educação, na saúde e na segurança social… Maria de Lurdes Rodrigues, Correia de Campos e Vieira da Silva já entraram para o livrinho dos ministros que subtraíram alguma coisa à felicidade de se ser português.
“Portugal vive um momento difícil, de transição. Pedem-se sacrifícios a uma parte importante da classe média e a uma determinada geração, que tem entre 45 e 65 anos. Ou seja, a geração do 25 de Abril e da consolidação da democracia. Se esses sacrifícios são pedidos, é indispensável que isso se faça com menos arrogância e mais humildade”.
Decididamente o homem não quer ser mal-criado, ingrato com quem o nomeou embaixador na OCDE, mas os pedidos, que José Sócrates devia ler, são certeiros: “menos arrogância e mais humildade”.
“A Europa precisa de estabilidade constitucional. E isso não pode ser posto em causa por motivos internos de cada país. Os países onde a possibilidade de ganhar o “não” é forte não vão fazer o referendo”.
Numa Europa de democracias, a democracia não é exercida…
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Discurso directo (2)
"Quero hoje agradecer ao José o acordo conseguido em Lisboa na passada quinta-feira" - Angela Merkel, in "Diário de Notícias", de 24 de Outubro de 2007.
A farsa continua
O silêncio mantém-se até ao próximo dia 13 de Dezembro.
Depois dessa data continuamos para bingo!
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Argumento fascistóide pelo não ao referendo ao Tratado
Um dos últimos posts de Vital Moreira na Causa Nossa é dos argumentos mais fascistóides com que fui confrontado nos últimos tempos. Será que é o mesmo Vital Moreira de outrora?
sábado, 15 de setembro de 2007
Bons ventos mesmo aqui ao lado
Lê-se no “El Pais” de hoje que o Governo está a estudar a criação de um fundo especial de ajuda aos espanhóis que não conseguem pagar mensalmente o empréstimo contraído para a compra da sua casa, em consequência da ininterrupta subidas taxas nos 12 últimos meses. E por cá? Por cá o fenómeno repete-se. Repete-se o fenómeno do endividamento, não a ajuda que o Estado poderia, ou não, criar…

