Confesso que não fiquei nada esclarecido. Vou esperar pelas imagens dos telejornais e, até lá, gargalhar com duas coisas: a baboquice parola da revisitação da Marinha Grande e a insustentável ditadura das agências de informação. Ou será que deverei, apenas, chorar a incapacidade/incompetência crítica instalada?
Nota: os negritos são da minha autoria...
Diário Digital: “Vital Moreira agredido por manifestantes da CGTP”.
Portugal Diário: “Vital Moreira agredido na manif da CGTP”.
JN: “Vital Moreira insultado e agredido na manifestação do 1º de Maio”.
DN: “Vital Moreira insultado e agredido em Lisboa”.
Correio da Manhã: “Vital Moreira agredido por manifestantes da CGTP”.
Público: “Ofensas pessoais e água atingiram delegação socialista no desfile do 1º de Maio”.
Expresso: “Vital Moreira agredido e insultado na manifestação da CGTP”.
Sol: “Vital Moreira agredido e insultado na manifestação da CGTP”.
Visão: “Vital Moreira agredido e insultado na manifestação”.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Leitura de fim de tarde
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Não há qualquer jogo à Direita
Não há secessão possível, sequer.
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quinta-feira, dezembro 18, 2008
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Ora pôrra!, até que enfim!!!
Ora pôrra!, até que enfim!!!
Haja alguém nos jornais que, finalmente, não se fixa no "fait-divers" do "sim, não/novo partido".
Ora pôrra que aparece alguém a dizer que percebeu o que o homem, afinal, disse preto-no-branco.
O último período, em particular, é delicioso. Recomendo a leitura integral.
às
quarta-feira, dezembro 17, 2008
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Coragem de mudar
Manuel Alegre levou, ao encerramento do Fórum "Democracia e Serviços Públicos", o discurso que abaixo se reproduz.
Subscrevo muito do que o deputado do Partido Socialista afirmou na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. Agrada-me que Alegre diagnostique a necessidade da esquerda não se virar contra si própria, que aponte o verdadeiro momento histórico que Portugal (e, já agora, boa parte do Mundo...) vive e, sobretudo, que afirme (ou melhor, reafirme, porque outros já o afirmaram há imenso tempo) a necessidade da esquerda se afirmar como uma alternativa real de poder. Só por isto, pela (re)afirmação da "coragem de mudar", o chamado encontro das esquerdas valeu a pena.
Em plena crise, grave, muito grave, talvez seja tempo de os que, até agora, se manifestaram neutros e cúmplices reflectirem sobre o seu papel na sociedade.
Saúdo os meus colegas nesta sessão de encerramento.
Saúdo os oradores e moderadores dos debates que hoje se realizaram.
É possível debater ideias sem dogmas, sem sectarismos e sem demagogia. Isso só não é possível para quem não pratica a democracia.
Amigos, companheiros e camaradas:
Dante reservou os lugares mais quentes do Inferno para aqueles que em tempo de crise moral se mantivessem neutros. Suponho que há neste momento muitos lugares reservados. Para os neutros e para os cúmplices. E sobretudo para os que andaram a apregoar as delícias da mão invisível e da auto-regulação do mercado e agora recorrem à intervenção do Estado para socializar as perdas e preservar os seus bancos, as suas fortunas e os seus privilégios.
Este é de facto um tempo de crise, um tempo em que não se pode ser neutro. Tempo de decisão e coragem.
A coragem de Roosevelt quando, após a Grande Depressão, enfrentou os muito ricos com um política de fiscalidade redistributiva, com o reforço do papel dos sindicatos, com a elevação do nível geral dos salários, com a intervenção do Estado em sectores-chave da economia e com o estabelecimento de direitos sociais, como o serviço público de saúde. Que nomes não nos chamariam em Portugal se hoje disséssemos o mesmo.
A coragem do Governo da Frente Popular presidida por Léon Blum, quando, em 1936, tomou um conjunto de medidas fundadoras dos modernos direitos sociais. Entre eles as férias pagas e as imagens para sempre inapagáveis dos operários que partiam a cantar, de bicicleta ou de comboio, para pela primeira vez verem o mar e gozarem as praias que até então eram só de alguns.
Coragem para mudar a sociedade e a vida. Coragem para estar ao lado dos desempregados e desfavorecidos e não para, à custa dos dinheiros públicos, salvar um banco privado que administra grandes fortunas. Coragem para mudar. A começar por nós mesmos. Coragem para se saber de que lado se está do ponto de vista das lutas sociais. Coragem para dialogar onde até agora se monologava. Coragem para convergir onde até agora se divergia.
Esta não é uma iniciativa inter-partidária. E por isso não está nenhum partido a menos nem nenhum partido a mais. Estão aqui cidadãs e cidadãos que não querem ser neutros e pretendem, em conjunto, procurar novas respostas, convencidos de que é possível construir soluções alternativas e de que é esse o papel da esquerda: não se conformar, não se resignar, não desistir.
Muitos de nós combatemos, por caminhos diferentes, o pensamento único que nos últimos vinte e tal anos desregulou o mundo aplicando em toda a parte as mesmas receitas: diminuição do papel do Estado, redução dos serviços públicos ou a sua gestão em concorrência com os privados, esvaziamento dos direitos sociais, deslocalização, desemprego, exclusão, precariedade, corrupção, destruição do ambiente, agravamento das desigualdades, empobrecimento progressivo da qualidade da democracia.
Começou com Reagan e Thatcher, culminou com Bush e da pior maneira: com a guerra do Iraque, os voos da CIA e Guantánamo, símbolo tenebroso do desrespeito pelos Direitos do Homem de cuja proclamação se celebram agora 60 anos. E por isso é que a eleição de Barack Obama, que é, em si mesma, um factor de mudança cultural e cívica, constitui uma tão grande e porventura desmedida esperança.
Ao longo de todo este tempo, desde a queda do muro de Berlim, o capitalismo ficou sem concorrência, mesmo que para muitos de nós ela não fosse a mais desejável. E ficou também sem a resistência da social-democracia. Agiu como se tudo lhe fosse permitido. Algumas das conquistas sociais que vinham de 1936 e do pós-guerra foram sistematicamente desmanteladas ou reduzidas ao mínimo. Por outro lado, a globalização também globalizou as desigualdades. O resultado está à vista: colapso do sistema financeiro, recessão económica, uma democracia mais pobre, consequências sociais imprevisíveis. Está a acontecer na Grécia, amanhã pode ser em Espanha, pode ser na França, pode ser aqui. Em toda a parte.
Não é possível resignarmo-nos ao nível de desigualdades existente no nosso país. Segundo os índices da OCDE, somos um dos três países daquela organização onde há maiores desigualdades. E somos o país da União Europeia onde há mais desigualdade na distribuição da riqueza. Há qualquer coisa de errado no nosso modelo de desenvolvimento.
Há qualquer coisa que não bate certo num país em que cerca de 18% de portugueses vivem no limiar da pobreza e uma minoria de gestores se auto-atribui milhões e milhões em prémios, indemnizações e salários.
Há qualquer coisa de indecoroso na promiscuidade entre o exercício de cargos políticos e os negócios privados.
Há qualquer coisa do avesso quando o novo Código do Trabalho é elogiado pelo Presidente da CIP.
Há algo de obstinado e cego e surdo quando se insiste numa avaliação por quotas, administrativa e economicista, que está a paralisar a escola pública e a desqualificar a Administração Pública em geral.
Os debates que hoje se realizaram sobre “Democracia e Serviços Públicos” permitiram por certo estabelecer pontes e convergências para a construção de políticas alternativas. Não são um ponto de chegada, mas um ponto de partida. E seria interessante que cada um desses painéis pudesse continuar autonomamente a aprofundar o debate e encontrar novas soluções. Em torno destes temas é com certeza possível encontrar convergências.
Permitam-me agora algumas reflexões e propostas sobre a Democracia e os Serviços Públicos.
O conceito de serviços públicos como actividades de interesse geral que o Estado se obriga a prestar a todos os cidadãos surgiu no século passado. Foi então assumido que se tratava de necessidades colectivas que não podiam ser resolvidas pelo mercado.
A obsessão desreguladora dos anos oitenta pôs em causa este conceito e forçou a abertura ao mercado e à concorrência de sectores até então considerados “Serviços públicos”, como as grandes indústrias de redes (energia, telecomunicações, transportes ou serviços postais). Esses serviços passaram a designar-se como serviços de interesse económico geral.
O processo continuou em áreas essenciais ao cumprimento dos direitos sociais (educação, saúde, segurança social), com a entrada em força do mercado nessas áreas e a criação da figura das parcerias publico-privadas para substituir o que até então fora considerado serviço público.
Assistiu-se ao endeusamento do mercado e à diabolização do Estado, mesmo quando os níveis de satisfação desceram, o desemprego aumentou e os custos dispararam. E à sombra das parcerias publico-privadas floresceram grandes negócios privados e desvirtuaram-se regras de transparência obrigatórias no serviço público.
No direito comunitário, o coração do debate sobre os serviços públicos está no artigo 86 do Tratado Europeu, segundo o qual as empresas que prestam serviços de interesse económico geral estão sujeitas às regras da concorrência.
É preciso questionar e eliminar esta situação. A submissão dos serviços públicos às regras da concorrência priva o Estado de intervir em áreas essenciais para a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos e distorce a avaliação dos serviços prestados.
É inaceitável que os serviços públicos sejam tratados como se fossem uma qualquer mercadoria.
É inaceitável que se defenda a perda de milhares de empregos no sector público como condição de progresso.
É inaceitável que se instituam regras de avaliação na educação cujo objectivo é “emagrecer” o número de professores na escola pública.
É inaceitável o encerramento de serviços públicos no interior do país, que contribui, às vezes por forma dramática, para a desertificação do território.
É inaceitável a entrega sistemática ao privado de sectores económicos rentáveis, nomeadamente na área da energia.
A saída da actual crise financeira, económica e social exige que a esquerda apresente políticas alternativas ao modelo neo-liberal e especulativo ainda dominante. Políticas que se baseiem na solidariedade, na sustentabilidade e na cooperação.
Defendo por isso como prioridades:
• o abandono da agenda da “flexisegurança” por uma agenda do “bom emprego”. Isto implica que não se pode abdicar de promover o pleno emprego, com reconhecimento dos direitos dos trabalhadores, incluindo a protecção na saúde e a conciliação do tempo de trabalho com a vida privada e familiar
• o combate à especulação financeira e o reforço dos poderes reguladores e intreventores do Estado
• o investimento público em sectores produtivos e geradores de bem estar social, desenvolvimento e emprego sustentável
• uma distribuição mais equitativa do rendimento e da riqueza como condição do desenvolvimento, através da garantia de salários e pensões mínimas mais elevados e da taxação fiscal de salários e pensões milionárias
• a promoção de políticas contra a pobreza, nas áreas da formação, emprego, habitação, acção social e direitos dos imigrantes
• o reconhecimento do direito à água como um direito humano
• a defesa e reforço da escola pública, do serviço nacional de saúde e da segurança social pública, como garantia de direitos fundamentais dos cidadãos
• a definição de políticas públicas para as cidades, que incluam o transporte, a habitação, o património, a cultura, o ambiente, o espaço público e a participação cívica
• a defesa da qualidade de vida e o combate à especulação imobiliária
• o incentivo a práticas de protecção do ambiente e de eficiência energética
Por todas estas razões, a esquerda tem de promover e aprofundar o debate sobre os serviços públicos e o seu papel numa democracia moderna e de qualidade.
Amigos, companheiros e camaradas
Uma crise como a que o mundo está a viver é também uma oportunidade de mudança. Uma oportunidade que a esquerda não deveria desperdiçar. Ninguém nos perdoaria. Uma oportunidade para propormos soluções de mudança e uma oportunidade para nós próprios também mudarmos. E neste sentido talvez o caminho seja mais árduo e mais complexo.
Não se trata de fazer revoluções já feitas e passadas.
Não se trata de reescrever a história que já está escrita.
Não se trata de inventar novos dogmas, novos sectarismos e novas excomunhões.
Ninguém é proprietário da esquerda, ninguém tem o monopólio da verdade, ninguém é dono do futuro.
A nossa força está na nossa pluralidade, nas nossas diferenças e, no respeito por elas, na nossa capacidade de construir convergências.
É esse o novo e grande desafio moral e político.
É essa a coragem de que precisamos. A coragem de não nos repetirmos. A coragem de abrir novos caminhos.
Não estamos aqui para tentar impedir que outros cresçam, mas para que toda a esquerda possa crescer em todos os sentidos. Não apenas eleitoralmente. Mas cívica e politicamente.
Porque esse é que é o problema. Crescer para quê? Para que políticas? Com que rumo? E para onde?
É preciso que parte da força eleitoral da esquerda não se vire contra si mesma. E muito menos contra as outras esquerdas. Porque essa tem sido a fragilidade das esquerdas europeias e da esquerda portuguesa. Há, por um lado, a esquerda do governo, que quando o é deixa de ser praticante. E a outra, que frequentemente se acantona no contra-poder.
Talvez aqui as convergências sejam mais difíceis de construir. Mas eu estou aqui para falar com clareza, com verdade e com fraternidade. Em meu entender, esse é o novo tabu que é preciso quebrar. A reconfiguração da esquerda implica a capacidade e a vontade de construir uma perspectiva alternativa de poder. Esta é a nova coragem que é preciso ter. Não só a coragem de resistir e persistir, de que muitos de nós temos experiência, mas a coragem de virar a página e construir uma nova esperança e uma nova alternativa.
Sei que não é fácil e não há agendas escondidas. Sei que é algo que não se decreta. Sei que é um processo que, para ser viável, exige consistência e passa pela difícil construção de uma via nova e de uma base programática sólida.
Mas estou de acordo com o que recentemente escreveu Rui Tavares: “Essa é a responsabilidade histórica da esquerda portuguesa. Mas não sabemos se ela vai estar à altura dessa responsabilidade.” Eu acho que precisamos de ter a coragem de estar à altura. Até porque, como diz o mesmo autor, “se o desejo da esquerda é transformar a sociedade portuguesa, o momento aí está.”
Permitam-me também que vos diga, com toda a franqueza e fraternidade, que a reconfiguração da esquerda portuguesa não se fará sem o concurso de eleitores, simpatizantes e militantes do Partido Socialista.
Permitam-me que daqui saúde os meus camaradas socialistas desempregados ou em trabalho precário. Os meus camaradas socialistas que se sentem inseguros com a crise e ameaçados por novas falências. Os meus camaradas socialistas professores que com muitos outros lutam pela suspensão de uma avaliação absurda. Os meus camaradas socialistas funcionários públicos que, apesar de todos os bloqueios, continuam honradamente a servir o Estado. Os meus camaradas que em condições difíceis, nos hospitais civis, trabalham para defender e dignificar o serviço nacional de saúde, grande bandeira e grande conquista da democracia portuguesa. Permitam-me, enfim, que saúde os meus camaradas socialistas que com outros milhares de trabalhadores se manifestam, resistem e protestam contra o novo Código do Trabalho, que representa, como disse Jorge Leita, um retrocesso civlizacional.
É para eles que vai neste momento o meu pensamento e a minha fidelidade de militante socialista.
Um grande português chamado Antero de Quental falou do socialismo como protesto moral contra a injustiça e a exploração. Foi há muito. Mas continua a ser uma boa inspiração para todos nós. Os explorados, os oprimidos, os deserdados da vida foram e são a razão de ser da esquerda. É por eles que estamos aqui, não pelas grandes fortunas, desculpem-me a insistência, do Banco Privado Português.
Amigos, Companheiros e Camaradas:
Eu acho que foi muito bom estarmos aqui a debater. Este debate constitui uma mudança de significado político e cultural.
Há muita gente insatisfeita. Eu também quero mais.
E agora, perguntarão?
Agora há que encontrar o caminho.
E esse caminho somos todos nós. São todas as cidadãs e cidadãos que querem outra política e outra alternativa. Por uma democracia, mais limpa, mais justa e mais solidária.
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segunda-feira, dezembro 15, 2008
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
sábado, 29 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Casmurrice obtusa ou doidice comprovada?

Há coisas difíceis de entender na vida.
Mais de 80% de uma classe profissional unida numa cidade a protestar merece ouvidos moucos por parte do responsável do sector de actividade? Só quando se é casmurro até mais não. Ou, então, quem ignora o clamor deste sábado, em Lisboa, perdeu a razão há muito e está, portanto, completamente alheio da realidade.
às
domingo, novembro 09, 2008
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A pulhice sem nome do jornal "Público"
A capa do jornal "Público" de ontem, dia 3, é um caso de maldade requintada elevada ao sublime extremo da pulhice inqualificável sob o manto da aparente ingenuidade. O seu conteúdo e a sua imagem não são aqui reproduzidos deliberadamente - há atitudes que merecem o desprezo total, outras há que devem ser admiradas e seguidas, outras ainda que não suscitam comentários nem reflexão, e outras, por fim, que podem e devem ser mais ou menos aplaudidas ou rejeitadas, consoante os casos. A capa em questão é aviltante e, portanto, merece total reprovação pessoal.
Vejamos. Manchete a toda a largura da página: "Prisão de Paulo Pedroso obriga Estado a pagar a maior indemnização de sempre". Pós-título: "Sentença da Relação de Lisboa realça "erro grosseiro" que causou sofrimento para "toda a vida"". Imediatamente a seguir, também de lado a lado, lê-se "Ciência - Instabilidade amorosa dos homens é genética, diz novo estudo sueco", em título inserido na foto de um nu frontal da antiguidade grega recortado em pormenor, apenas tornando visível parte de uma mão, a linha de cintura e metade das coxas e, claro, o pénis e respectivos testículos.
A decisão do Tribunal da Relação de Lisboa - que, em primeira instância, dá razão à ilegalidade da prisão preventiva de Paulo Pedroso no âmbito do caso Casa Pia - merece o respeito de quem respeita todas as outras decisões da Justiça, mesmo aquelas que nos parecem menos justas. E, honestamente, eu não sei se esta decisão é justa, não tenho sequer competências para discutir tais coisas, e por esse lado dou-me por muito feliz. O que me faz infeliz é a associação indecorosa de uma notícia que iliba um homem - que, à época, tinha justificadas e legítimas ambições pessoais de carreira profissional e política nos órgãos do Estado ou de representação externa de Portugal - de várias acusações de abuso sexual ao pénis da Grécia antiga que, como se sabe, foi fértil em casos de homosexualidade com direito a relatos e reflexões, inclusive, na Bíblia. Nenhuma mente ingénua aguenta, sem um esgar malicioso, tão casual associação. Nem aquelas que acreditam piamente numa das mais conhecidas máximas do Padre Américo, precisamente!, essa que diz não existirem meninos maus...
O caso é grave. Em 2003, Portugal viveu dias de absoluta excepcionalidade, como aqui ficam retratados: há jovens que se diziam sexualmente abusados, há um homem, Paulo Pedroso, que foi destruído em público, há uma direcção política que foi literalmente decapitada. Se houve, ou não, cabala, está por demonstrar, embora do ponto de vista político esteja pessoalmente convicto dela, e estou à vontade para o afirmar até porque nunca, sequer, me senti próximo do Partido Socialista. Mas, cinco anos depois o que sobressai aos olhos das pessoas que passam nas ruas? Fica para a História a capa de um "jornal de referência", tido, até por mim!, como muito relevante para a Imprensa portuguesa, que pisa o risco, ultrapassa todas as marcas e, seguramente, também vai sair incólume deste "erro grosseiro".
Vejo aqui, portanto, um caso simbólico de pulhice inominável no rosto impávido e sereno de quem diz respeitar, e faz publicar!, princípios éticos. As picardias e as maldades fazem-se, claro está: nenhum jornalista está acima da sua própria natureza, enquanto ser humano. Mas sob o disfarce da interpretação dos factos não nos devemos ultrapassar a nós próprios, sob pena de perdermos, no imediato, a dignidade com que logramos construir o capital (humano, intelectual, ético e material) de que, afinal de contas, nos julgávamos feitos.
Enquanto assim for, passem bem sem mim.
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quinta-feira, setembro 04, 2008
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008
A imagem que fica de Pequim
A menina da foto é linda e tem uma voz magnífica. Chama-se Yang Peiyi e foi a voz da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Há quem queira ter-lhe inventado dois "problemas" - rosto arredondado e dentição irregular -, mas é tudo uma treta medonha que os senhores do marketing-&-quejandos -lá-do-sítio inventaram em nome dessa coisa fantástica que os tempos modernos (o capitalismo?) inventaram: a imagem.
Esta é, por isso, a imagem que, para mim, fica de Pequim. A menos que a Vanessa e o Obikwelu consigam aviar a concorrência toda sem a deixar respirar...
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quarta-feira, agosto 13, 2008
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domingo, 10 de agosto de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Ainda bem que não é o mesmo...
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, é um homem que os tem no sítio, aos ditos cujos que aqui não são explicitados, apenas, por decoro. Parabéns ao Governo, parabéns a Rui Pereira, ainda bem que não é o mesmo que, há pouco mais de um mês, permitiu que o país ficasse virado do avesso.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Parem lá com o medo!
Não sei se o homem disse rigorosamente isto, numa Comissão Parlamentar de Educação sobre a violência nas escolas, mas há muito que, a propósito disto mesmo e também de muitas, muitas outras coisas, ando a dizê-lo e, sobretudo, a ouvi-lo de bocas bem mais avisadas. Por isso, repito-o: "Parem lá com o medo!"
Procura-se...
Quando era miúdo, lembro-me de tomar Aspirina, aquele comprimidinho branco, desajeitado porque grande e, ainda por cima, amargado que marava (pronto!, matava...) as dores de cabeça.
Já bem crescidinho encontrei-a na blogosfera, não marava coisa nenhuma, muito menos matava fosse lá o que fosse, mas ajudava a cabecinha a passar o dia de modo mais são (com outros preciosos e desinteressados contributos...).
Há dias, deixei de a ver. Alguém sabe dela?
quinta-feira, 12 de junho de 2008
A quem aproveita, afinal, o banzé montado por todo o país?
À hora a que componho estas linhas decorre a mais aguardada reunião da Batalha da actualidade. Vão, ou não, os camionistas levantar a paralisação que, em três dias apenas, virou o país ao contrário?
Não me excito nem deixo de me entusiasmar com o protesto dos camionistas (e independentemente de ele ser, ou não legal). Estranho que as estruturas organizadas habitualmente envolvidas na defesa dos direitos dos seus associados (não, não me refiro, em exclsivo à CGTP...) estejam em silêncio absoluto, estranho a apatia do Governo (tanto tempo para reagir neste caso, em contraponto com a célere resposta que é sempre dada em tratando-se, por exemplo, de maquinistas dos caminhos-de-ferro, médicos ou pilotos da aviação civil), estranho, e sobretudo agora, o "entendimento" (ou será que foi "acordo"?) alcançado esta quarta-feira entre Governo e ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias), que sempre se opôs ao protesto.
As linhas gerais do "acordo" (ou será que foi "entendimento"?) entretanto divulgadas apontam para:
- portagens reduzidas, no período nocturno, para profissionais do sector do transporte de mercadorias;
- majoração das despesas de combustíveis para efeito de despesas em sede de IRC, num mínimo de 20%, a manutenção do valor do Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) em 2009, bem como o Imposto de Camionagem nos valores de 2007 durante os próximos três orçamentos do Estado;
- indexação do frete ao custo do aumento dos combustíveis;
- prazo máximo de 30 dias para pagamento de facturas dos transportadores, com coimas para os casos de incumprimento;
- forma especial de pagamento do IVA, já em vigor para o próximo ano fiscal;
- apoios específicos para a renovação de frotas e para o abate de veículos em fim de vida;
- e, subsídios para a formação profissional.
Dá, inclusive, para os grandes transportadores - que nunca estiveram, recorde-se, ao lado desta paralisação - manterem intactos seus "índices de produtividade", leia-se, lucros. É certo que os fretes serão mais caros sempre que o gasóleo subir nas bombas e que terão de pagar serviços a 30 dias, mas a majoração das despesas de combustíveis, a forma especial de pagamento do IVA e, sobretudo, os apoios à renovação de frotas beneficiarão, essencialmente, os detentores de muitos veículos, quantos mais melhor.
Por isso continuo sem excitações nem entusiasmos, e na expectativa do que sairá, com efeitos práticos, da reunião à porta fechada da Batalha - a paralisação é dos pequenos e médios empresários, ou estes foram devidamente instrumentalizados? A quem aproveita, afinal, o banzé montado por todo o país?
quinta-feira, 29 de maio de 2008
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Lata é o que é preciso
Em Portugal, o buraco entre os mais ricos e os mais pobres é tal que aqui é maior o fosso do que o que existe nos Estados Unidos da América!
Não é grande a revelação, para quem vive nos EUA, apenas uma constatação, digo eu, que vivo por aqui. Mas há um tal de Pedro Marques, de quem nunca ninguém ouviu falar mas que José Sócrates desencantou para secretário de Estado, que nos tranquiliza a todos, portugueses e americanos: afinal, os dados que serviram de base a um relatório de Bruxelas são de 2004 e, blá-blá-blá, agora já é tudo outra coisa!
É preciso muita lata!!!
terça-feira, 18 de março de 2008
Jogo baixo
Declaração de interesses: não sou adepto do Acordo Ortográfico.
quarta-feira, 12 de março de 2008
O Obama luso?
Se continua assim, este homem não chega ao fim do mandato...
:-(
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Jogos Sem Fronteiras
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domingo, fevereiro 10, 2008
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