quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A imagem que fica de Pequim

A menina da foto é linda e tem uma voz magnífica. Chama-se Yang Peiyi e foi a voz da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Há quem queira ter-lhe inventado dois "problemas" - rosto arredondado e dentição irregular -, mas é tudo uma treta medonha que os senhores do marketing-&-quejandos -lá-do-sítio inventaram em nome dessa coisa fantástica que os tempos modernos (o capitalismo?) inventaram: a imagem.

Esta é, por isso, a imagem que, para mim, fica de Pequim. A menos que a Vanessa e o Obikwelu consigam aviar a concorrência toda sem a deixar respirar...

domingo, 10 de agosto de 2008

sábado, 9 de agosto de 2008

Não me apetece ir procurar uma imagem de Moita Flores!

Anda meio mundo blogueiro nacional preocupado em saber se a Câmara Municipal de Santarém tem um presidente ou se a Câmara Municipal de Santarém tem um comentarista em permanência na SIC.

Percebo a questão, e também percebo que estamos a falar de crime, sangue, aquela coisa gordurosa a escorrer, a vermelho, apelativa e horrorosa, pelos cantos da boca quando nos enviam um sopapo bem aviado pelo olhos dentro, mas também não perco de vista que o distrito de Santarém é aquela coisa ali entalada no mapa entre Castelo Branco, Leiria, Lisboa e Setúbal, o que quer dizer isso mesmo, emparedada.

Gosto de ouvir o moço, bem parecido, verbo fácil, ar simpático, afável, quase familiar, com ideias académicas muito interessantes sobre a morte, e continuo sem esquecer que o homem cujo nome encabeçou a lista do PSD vitoriosa nas últimas autárquicas no concelho de Santarém representa mais de 28 mil cidadãos.

Os escalabitanos (e a rapaziada dos blogues) que me desculpem, mas o homem não deve ter muito que fazer... Claro que estou a avaliar pelas preocupações do meu presidente de Junta de Freguesia, que tem de dar conta de outros 48 mil cidadãos, que ainda por cima descarregam em cima dele as frustrações diárias de quem não se revê na Câmara Valentim Loureiro (há quem chame ao dito cujo 3.º barão de S. Cosme, mas isso é coisa que poderei explicar noutra altura) e que elegeram um Executivo de Junta PS, que fez um acordo pós-eleitoral com o Bloco de Esquerda...

Isto é, e por exemplo, se Marco Martins, de Red River Town!, percebesse algo de qualquer-coisa-não-interessa-o-quê já teria conseguido um lugar de comentarista, sei lá!, no Porto Canal (o quê?!?!?!), ao mesmo ritmo em que as opiniões de Moita Flores nos soariam a letra de música na telenovela da TVI (na SIC?, na RTP?). Mas como não sabe, declaradamente, ficamos a ver o Moita Flores a dizer que, ele sempre disse!, os pais-da-Maddie-têm-rabos-de-palha ou, em alternativa, que aqueles moços brasileiros do assalto ao banco coisa-e-tal, eu bem que vos tinha avisado, e por aí fora.

Grande país este.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ainda bem que não é o mesmo...

O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, é um homem que os tem no sítio, aos ditos cujos que aqui não são explicitados, apenas, por decoro. Parabéns ao Governo, parabéns a Rui Pereira, ainda bem que não é o mesmo que, há pouco mais de um mês, permitiu que o país ficasse virado do avesso.

sábado, 19 de julho de 2008

Desculpem qualquer coisinha

Hoje vou andar por aqui, algures no inferno...

A batida do coração

Phil Collins, Chester Thompson e Bill Bruford...
É para ouvir - desculpem pelo corte abrupto! - a batida original, a batida do coração!



P.S.: Gustavo!, ainda vou conseguir alguém com ritmo para Setembro... Nem que tenham de ser estes gajos...

terça-feira, 15 de julho de 2008

sábado, 12 de julho de 2008

O verdadeiro artista...

Procurava no Google uma imagem para um post sobre demagogia & eleitoralismo by José Sócrates. Admito que, por momentos, hesitei...

Primeiro, encontrei esta imagem...






(a de um homem triunfador e confiante)

Depois fui dar com esta...





(a de um homem indignado que não vê o seu esforço reconhecido nem os arguemntos entendidos)

Admiti como hipótese, de seguida, que pudesse estar a ser injusto...








(e encontrei um homem a meio caminho entre a fanfarronice e o forte aborrecimento, coitado!)

Mas, eis se não quando...








(encontro o mesmíssimo homem realmente chateado, com todas "aquelas" letras começadas por éfe...)

A seguir...









(dei de caras com um homem determinado no seu desígnio)

E, por fim, fez-se luz!: é mesmo esta a imagem que me faltava!!!











(Encontrei "o" verdadeiro demagogo em pessoa!)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pecado capital

O "voyeurismo" pacóvio é o pecado capital do Jornalismo!

Outra vez vez... circo!

Os títulos das jornais, às vezes até que têm graça..

Ah, ah, ah, ah, ah...

400 milhões de buracos negros!

2883 caracteres vazios de ideias...
Rui Rio
só poderá consegui-lo!

E quais são, afinal, as p*«»... das perguntas?!?!?!

Tudo lido, de fio a pavio..., e quais são, afinal, as p*«»... das perguntas?!?!?!

Circo

O senhor Teixeira diz que vai pedir explicações ao próprio e o senhor Pinho diz que a ASAE terá de dizer das suas. Ambos se esquecem das Finanças - do Fisco, senhores -, mas nós pagamos!!! Mesmo que a menina da bilha não vá lá a casa... Como é divertido este país.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

10 parágrafos de boa reportagem

Aqui fica a ligação para 10 parágrafos de boa reportagem, um naco de prosa tirado do caso mais vulgar do Mundo em pouco mais de duas ou três horas. Lê-se, fica-se a saber o essencial, a leitura é rápida e encadeada (até parece que o homem estava lá na hora certa, mas garanto não porque fumava um cigarro comigo a céu aberto) e ainda salpica a emoção dos minutos do horror. Os jornais precisam disto como de pão para a boca. E os seus leitores também.

Mas que pôrra de dia, hein?!

Há dias assim. De um esmorecimento implacável.

Um tipo compra o jornal e lê nas "gordas" três coisas absolutamente fantásticas: a Polícia Judiciária tem uma "secreta", instalada num armazém em Cascais, que faz escutas e vigilância à margem da lei; a Casa Branca diz que se enganou quando disse que Berlusconi lidera um país corrupto; afinal, a ida de Vale e Azevedo à polícia inglesa já estava combinada desde quinta-feira da semana passada.

Um tipo lê, relê, percebe que o jornal não está a brincar connosco, está simplesmente a noticiar o que de facto aconteceu, e fica perplexo. Ainda por cima, logo a seguir entende que, afinal de contas, já não-está outra vez!

Princípio do contraditório

Afinal, em que ficamos? A sociedade Estoril-Sol está ou não está na mira na investigação criminal?

Esperar de balde...

Rui Rio recandidata-se à presidência da Câmara Municipal do Porto e nem sequer precisa que os órgãos nacionais do seu partido digam se pode, ou não, assim ser. Já está anunciado, e com toda a frontalidade. As estruturas distritais do PSD e do CDS entenderam-se, e a quem coube o papel de moço do recado também não sobraram dúvidas - "Era o que mais haveria de faltar eu esperar por indicações nacionais", traduziu em Português claro e conciso Marco António Costa, essa coisa com duas pernas que passa a vida a insinuar-se aos jornalistas e à Comunicação Social sentada e que também é líder distrital do PSD/Porto.

Ora, assim sendo, talvez tenha chegado a hora de a Oposição aprender a ler nas entrelinhas. O PS, sozinho, nunca mais lá vai. O PCP, perdão!, a CDU também não. E o BE muito menos. Então, de que está a Oposição à espera? De alguma "fruta" que manche o lençol? Um "apito" que borre a escrita? Bem podem ficar sentados à espera, que vão esperar de balde... e, debalde, desesperar!

A imagem nacional de Rui Rio está colada à honestidade, ao trabalho e à simplicidade que soube "separar as águas" da cidade da sua fonte de corrupção e de mafiosidade (o clube...). E o todo nacional pouco se está a "lixar", acho que nem chega, sequer, a perceber, com o custo dessa imagem, porque não vive no Porto, não tem de levar com as "birras" pessoais, nem com o nepotismo e o terrorismo municipal em tudo o que devia ser área de intervenção cívica... dos cidadãos.

A Oposição (local e regional) não percebe - em nome, sabe-se lá de que interesses (nacionais?) - e os portuenses e o Norte que se lixem! Vão levar com mais Rui Rio.

Vão levar os portuenses com mais Rui Rio, e vão levar os portugueses com Rui Rio depois do PS perder a maioria absoluta na Assembleia da República, depois do Governo cair lá para 2011 e depois do PSD chutar Manuela Ferreira Leite (agora com delicadeza...). Aí vamos todos ficar cinzentos, feios e tristes, como está a cidade do Porto.

Pode ser que nessa altura se perceba o que está a acontecer.

domingo, 6 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Ai ouve?




Avós

Não tenho o livro, mas falaram-me de uma lenga-lenga simples, da autoria de Chema Heras, original, fresca e terna. Falaram-me, também, das ilustrações cuidadas e sugestivas de Rosa Osuna, que não conheço.
A história, devidamente surripiada na Internet e que aqui fica para quem dá nome ao texto, é sobe valores, sem falar neles, no essencial da vida.




Avós

Numa tarde de Primavera, estava o avô a regar a horta, quando viu chegar um carro que anunciava:

Esta noite haverá festa na praça do povo. Vinde todos bailar com os melhores músicos do país!

— Ouviste, Manuela? Esta noite temos baile!
— Sim, Manuel. Mas eu não vou. Já não sou menina para andar de festa em festa.
O avô não disse nada.
Olhou para o sol que estava quase a esconder-se no horizonte, e agachou-se para colher uma margarida que crescia por entre a erva.
Depois, foi junto da avó, deu-lhe a flor e disse:
— Porém, tu és muito bonita, Manuela. És tão bonita como o sol!
A avó sorriu e foi ver-se ao espelho.
— Não é verdade. Sou feia como uma galinha sem penas — disse ela, prendendo a margarida no cabelo.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol!

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó foi à casa de banho e, de uma bolsa, tirou um lápis.
— O que vais fazer com esse lápis? — perguntou o avô.
— Vou pintar os olhos, que os tenho tristes como uma noite sem lua.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite!

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó sorriu e pegou num pincel.
— O que vais fazer com esse pincel?
— Vou pintar as pestanas, que as tenho curtas como as patas de uma mosca.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada!

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó voltou a sorrir e, da prateleira, tirou um boião.
— O que vais fazer com esse boião?
— Vou pôr creme na pele, que a tenho enrugada como um figo seco.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada e a tua pele enrugada como as nozes de uma tarte.

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó voltou a sorrir, pousou o boião e pegou num baton.
— O que vais fazer com esse baton?
— Vou dar brilho aos meus lábios, que os tenho secos como a terra dos caminhos.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada e a tua pele enrugada como as nozes de uma tarte e os teus lábios secos como a areia do deserto.
E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó voltou a sorrir e foi à mesa-de-cabeceira e tirou de lá um frasco.
— O que vais fazer com esse frasco?
— Vou pintar o cabelo, que o tenho cinzento como uma nuvem de Outono.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada e a tua pele enrugada como as nozes de uma tarte e os teus lábios secos como a areia do deserto e o teu cabelo branco como uma nuvem de verão.

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó sorriu e foi ao armário buscar uma saia.
— O que vais fazer com essa saia?
— Vou esconder estas pernas, que as tenho magrinhas como agulhas.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada e a tua pele enrugada como as nozes de uma tarte, os teus lábios secos como areia do deserto, o teu cabelo branco como uma nuvem de verão e as tuas pernas magrinhas como uma andorinha.

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó guardou a saia, foi lavar a cara e sorriu diante do espelho. Depois agarrou-se ao braço do avô e os dois foram para o baile.
Quando chegaram, os músicos já estavam no palco, a tocar, e toda a gente estava a bailar.
O avô agarrou na avó pela cintura, e puseram-se a bailar. Depois, olhou profundamente nos olhos da avó e disse-lhe:
— Manuela, tens os olhos tristes e formosos como as estrelas da noite.
Então a avó olhou muito no fundo dos olhos do avô e viu que também ele tinha… os olhos tristes como as estrelas da noite e as pestanas curtas como erva recém-cortada e a pele enrugada como as nozes de uma tarte e os lábios secos como a areia do deserto e o cabelo branco como uma nuvem de verão e as pernas magrinhas como as de uma andorinha.
A avó agachou-se e apanhou uma margarida, prendeu-a ao casaco do avô e aconchegou-se no seu peito.
Depois, olhou para o céu, e voltou a olhar o avô bem nos olhos e sem deixar de dançar, disse:
— Manuel, és tão bonito como a lua!

terça-feira, 1 de julho de 2008

domingo, 29 de junho de 2008

Fools overture

E agora... algo de absolutamente inesperado!

Rodger Hodgson (Supertramp?), ou melhor, Supertramp (Rodger Hodgson?), na sua melhor composição de sempre, obra de arte (bem melhor que aquelas coisas de betão que nos deixam passar por cima, enquanto outros passam por baixo, e que denominamos do mesmo modo...), ao nível do que, em termos de música popular, colocamos no mesmo patamar que outros e justificados superlativos.

Dante no seu esplendor, ou a maquerda mais interessante dos últimos tempos

Encontro aqui um ideia, no mínimo, inovadora. A maqueta promete - ou será que é mesmo a maquerda que, à primeira, saiu do teclado? -, deve ser realmente muito interessante ter o carro estacionado, em permanência, voltado para o Sol, adormecer (e acordar...) com um raio de luar no canto direito dos olhos, ou só ver a tromba do patrão ao entardecer.

Só é pena que distintíssimos (e, quero acreditar que, principescamente bem pagos) arquitectos e engenheiros estejam a partilhar com o Mundo (e, portanto, com perigosos radicais, esquerdistas ou exactamente do oposto) ideias que podem, em tese, revolucionar os próximos objectivos da al-Qaeda. Sério! Alguém consegue imaginar a dantesca imagem do Capitólio a revirar-se sobre si próprio sem nunca se encontrar?!

Delírio meu? Muito bem, aguardemos pelos próximos meses.

sábado, 21 de junho de 2008

Biko



Vinte e nove anos depois, sempre actual!

San Jacinto



Uma relíquia ao jeito do vinho do Porto, quanto mais velho melhor!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Parem lá com o medo!

Não sei se o homem disse rigorosamente isto, numa Comissão Parlamentar de Educação sobre a violência nas escolas, mas há muito que, a propósito disto mesmo e também de muitas, muitas outras coisas, ando a dizê-lo e, sobretudo, a ouvi-lo de bocas bem mais avisadas. Por isso, repito-o: "Parem lá com o medo!"

Procura-se...


Quando era miúdo, lembro-me de tomar Aspirina, aquele comprimidinho branco, desajeitado porque grande e, ainda por cima, amargado que marava (pronto!, matava...) as dores de cabeça.

Já bem crescidinho encontrei-a na blogosfera, não marava coisa nenhuma, muito menos matava fosse lá o que fosse, mas ajudava a cabecinha a passar o dia de modo mais são (com outros preciosos e desinteressados contributos...).

Há dias, deixei de a ver. Alguém sabe dela?

terça-feira, 17 de junho de 2008

Curiosidades oriundas da América


Acabou com meses e meses de especulação e disse, preto no branco, que, neste momento, Barack Obama é o seu candidato.

Não deixa de ser curiosa esta afirmação, vindo do homem que, numa marosca que nunca ficará bem contada, com todos os pormenores, esteve para ser o presidente dos Estados Unidos da América, numa época em que, sabe-se hoje, era necessário, mais do que nunca, um homem minimamente inteligente na Casa Branca.

Não deixa de ser curioso, mas por razões diametralmente opostas, que, no mesmíssimo dia, o jornal Público (o de Espanha...) titule o seguinte: "Bush estabelece os seus objectivos sobre o Irão e justifica pela enémisa vez a invasão do Iraque".

sábado, 14 de junho de 2008

NÃO!

Uma excelente posta, aqui.

Robert Mugabe, um homem sincero, tem a minha admiração

Em política, e na vida em geral, a sinceridade tem um preço. Robert Mugabe é um homem sincero (não confundir sinceridade com honestidade, por favor...) e por isso ninguém ficará escandalizado se, no mínimo, levar com uma bala bem no meio dos olhos. Os africanos agradecem.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Fundamental! Mas alguém acredita?

Sem necessidade nenhuma, apenas e só aquela vaidadezinha arrogante a que já nos habituou, o homem voltou a meter as mãos pelos pés, os pés pelas patas, as patas pelo...
Enfim , por estes dias vale o circo mesmo sem pão. Fiquemos atentos às notícias sobre os resultados do referendo na Irlanda ao Tratado de Lisboa.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A quem aproveita, afinal, o banzé montado por todo o país?

À hora a que componho estas linhas decorre a mais aguardada reunião da Batalha da actualidade. Vão, ou não, os camionistas levantar a paralisação que, em três dias apenas, virou o país ao contrário?

Não me excito nem deixo de me entusiasmar com o protesto dos camionistas (e independentemente de ele ser, ou não legal). Estranho que as estruturas organizadas habitualmente envolvidas na defesa dos direitos dos seus associados (não, não me refiro, em exclsivo à CGTP...) estejam em silêncio absoluto, estranho a apatia do Governo (tanto tempo para reagir neste caso, em contraponto com a célere resposta que é sempre dada em tratando-se, por exemplo, de maquinistas dos caminhos-de-ferro, médicos ou pilotos da aviação civil), estranho, e sobretudo agora, o "entendimento" (ou será que foi "acordo"?) alcançado esta quarta-feira entre Governo e ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias), que sempre se opôs ao protesto.

As linhas gerais do "acordo" (ou será que foi "entendimento"?) entretanto divulgadas apontam para:

  1. portagens reduzidas, no período nocturno, para profissionais do sector do transporte de mercadorias;
  2. majoração das despesas de combustíveis para efeito de despesas em sede de IRC, num mínimo de 20%, a manutenção do valor do Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) em 2009, bem como o Imposto de Camionagem nos valores de 2007 durante os próximos três orçamentos do Estado;
  3. indexação do frete ao custo do aumento dos combustíveis;
  4. prazo máximo de 30 dias para pagamento de facturas dos transportadores, com coimas para os casos de incumprimento;
  5. forma especial de pagamento do IVA, já em vigor para o próximo ano fiscal;
  6. apoios específicos para a renovação de frotas e para o abate de veículos em fim de vida;
  7. e, subsídios para a formação profissional.
A lista é extensa e, aparentemente, o Governo foi de uma generosidade fantástica e inexcedível. É certo que o preço dos combustíveis não baixou, nem vai baixar, como os camionistas exigiam, mas o pacote do "entendimento"/"acordo" é vasto e dá (quase) para tudo.

Dá, inclusive, para os grandes transportadores - que nunca estiveram, recorde-se, ao lado desta paralisação - manterem intactos seus "índices de produtividade", leia-se, lucros. É certo que os fretes serão mais caros sempre que o gasóleo subir nas bombas e que terão de pagar serviços a 30 dias, mas a majoração das despesas de combustíveis, a forma especial de pagamento do IVA e, sobretudo, os apoios à renovação de frotas beneficiarão, essencialmente, os detentores de muitos veículos, quantos mais melhor.

Por isso continuo sem excitações nem entusiasmos, e na expectativa do que sairá, com efeitos práticos, da reunião à porta fechada da Batalha - a paralisação é dos pequenos e médios empresários, ou estes foram devidamente instrumentalizados? A quem aproveita, afinal, o banzé montado por todo o país?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Um mundo à deriva e vazio de ideias

Todos temos (uns mais, outros menos…) a sensação de que o país (e a Europa, e o Mundo…) parece estar a rebentar pelas costuras. Pessoalmente acredito que a crise está aí e para durar. Hoje, ouvi contar uma história que, a ser verdade (um dos intervenientes jura, a pés juntos, que sim), ilustra bem o que acaba de ser escrito: um mundo a desfazer-se aos bocados, sem valores, completamente à deriva e vazio de ideias para resolver os problemas.


Uma empresa, cujo nome não revelo aqui por razões óbvias, necessita de fazer uma contratação para os três meses de Verão, tal como sucede em todos os períodos de férias desde o seu primeiro ano de existência. Os candidatos – escolhidos pelo científico método do conheces alguém que? – apresentaram-se à entrevista marcada e todos ouviram algo deste tipo:


– É um contrato por três meses, de 15 de Junho a 15 de Setembro, e o horário de trabalho é entre as seis da tarde e as duas manhã. Como vem fazer substituições neste período de férias não há folgas e o vencimento será o equivalente ao subsídio de alimentação em vigor na empresa, contra a apresentação de recibo verde. Que tal?

UE ameaça direito social com 91 anos!

Pode ler-se aqui que a União Europeia parece disposta a querer recuar 91 anos em matéria de direitos sociais! O projecto é tão irracional que nem os patrões devem acreditar nele, digo eu, mas sobre o assunto ainda não ouvi rigorosamente nada do senhor ministro Vieira da Silva. Ou será que o Grande Explicador do Código de Trabalho é que vai dizer à malta como é que devia ser?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Love is a losing game

Acabo de ver (e ouvir...) 10 a 15 videos no YouTube e percebo que assisti impávido e sereno, e com tremenda dose de inconsciência à mistura, à polémica (entre comas, se faz favor...) jornalística e bloguística a propósito da actuação de Amy Winehouse no Rock in Rio, em Lisboa.

Já tinha ouvido "Rehab" umas boas dúzias de vezes (sobretudo no carro...). Mas já conhecia, de outros registos, "Valerie" e "You know i'm not good". Para já não falar de "Me a Mr. Jones" e, sobretudo, de "Do me good".

A vida, a existência real - corrida para o trabalho, contas por pagar, filhos por criar, sonhos eternamente adiados, dorme, acorda, toca a andar violeta que já é tarde e nunca mais chega o teu dia de descanso - é tão apressada e madrasta, e também requintada puta fina!, que nos coloca, tal e qual!, a leste da realidade em nome da dita cuja.

E por isso, sei agora, estou a perder outra vez (nem quero saber há quantos anos ao certo...), uma batida excepcionalmente boa (haja por aqui algum jornal/revista que fale daqueles músicos de excepção!), um "swing" terno e doce, uma voz plena, rouca (de quem não tem corpo para ela) e linda (de quem nunca chega a sê-lo), que só recorda Billie Holliday e Janis Joplin. E, também, por outos caminhos paralelos, Kurt Cobain e Jim Morrison.

É evidente que aquilo que se assistiu no Rock in Rio teve, apenas, um valor simbólico e circunstancial. Um dia destes vamos todos (sobretudo os que estiveram há dias na Quinta da Bela Vista) fazer coro com o premonitório "Back do black".

Até lá - enquanto jornais, revistas, rádios, televisões e entendidos da música popular glosam do que mais sério e pior se disse sobre a performance - vou ouvindo, ao ritmo mais lento da minha idade actual, num "slow" imaginário de há 20, 30 anos, o meu preferido "Love is a losing game".

Barack Obama, o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos da América



Fecharam as urnas no Dakota do Sul e... ponto final em cinco meses históricos de uma batalha que finda com a nomeação do primeiro candidato negro à presdidência dos EUA.

Com Hillary Clinton ainda à procura de uma linguagem que se coadune com a dura realidade da derrota, Obama proclama em St. Paul, no Minnesota: "Esta noite, posso estar à vossa frente e dizer que serei o candidato democrata à presidência dos EUA".

Com ou sem Hillary como "número dois" de Obama, agora se verá se o povo norte-americano é ao tão imbecil quanto a imagem que passa a cada dia do seu ainda presidente George W. Bush.

Actualidade

O jornalista aqui e agora, em Portugal, hoje


Imagem conscientemente subtraída na Confraria das Bifanas...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Abaixo-assinado a favor da abertura de pólo da Cinemateca Portuguesa na cidade do Porto

To: Ministério da Cultura e Cinemateca Portuguesa


O presente abaixo-assinado destina-se a acompanhar um documento expositivo referente à impossibilidade de acesso ao Cinema anterior à década de 90, na cidade do Porto. O documento será enviado ao Ministério da Cultura e à Cinemateca Portuguesa, estando disponível para consulta no site: www.circuitocinema.blogspot.com .
A recolha de assinaturas para o abaixo-assinado está também a ser desenvolvida em suporte físico, por várias pessoas e em vários locais da cidade do Porto.


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A cidade do Porto sofre de vários e complexos problemas na área da cultura, como é do conhecimento geral. No entanto, esta situação não é generalizável a todo o país. Efectivamente, Lisboa continua a usufruir de forma centralizada dos serviços de certas instituições culturais que deveriam fazer jus ao seu âmbito nacional, como, por exemplo, a Cinemateca Portuguesa, um organismo público suportado pelos contribuintes a nível nacional.

No Porto, é de grande interesse público a criação de uma extensão da Cinemateca, o que permitiria acabar com a carência de exibição cinematográfica sentida na cidade, ao nível da produção anterior à década de 90.

Os abaixo-assinados estão cientes desta situação e acreditam que,
- sendo insustentável que o funcionamento da Cinemateca não esteja de acordo com o seu âmbito nacional;
- sendo intolerável que a cidade de Lisboa, apenas por via desta instituição, tenha acesso, por dia, a cinco filmes na sua maioria anteriores à década de 90, enquanto que o Porto passa vários meses sem poder ver uma obra histórica relevante;
- havendo várias manifestações cívicas, associativas e pessoais, a reivindicarem o alargamento do âmbito do organismo em questão,

é fundamental e urgente a criação de um pólo da Cinemateca Portuguesa na cidade do Porto.



Os signatários,

Carlos Azeredo Mesquita
David Barros
Filipe Oliveira
Joaquim Guilherme Blanc
Lídia Queirós
Nuno de Sá
Pedro Leitão
Ricardo Alves

Sincerely,

sexta-feira, 30 de maio de 2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

Para a Cadi

Era uma miúda meio assustada, perdida e imóvel à porta do hotel. A situação em Díli, no final de 1999, era ainda perigosa, as forças das Nações Unidas ainda não controlovam todo o território de Timor-Leste.


Não sei há quanto tempo por lá andava quando dei com ela. Sei que estava parada, imóvel, à espera do dia em que a fossem buscar, como se já tivesse ido embora. Falava de uma menina com saudade e emoção e por ela recusava-se a levar na cara com a exposição da extrema miséria que matava crianças à fome e doença.


O Leonel de Castro arrastou-a connosco por duas ou três vezes em deslocações difíceis, mas não de risco, e ela agradeceu a cumplicidade com um sorriso bonito num olhar aberto, vivo, e com palavras, muitas palavras, nenhuma guineense, até parecia que nunca mais se calava.


A Cadi Fernandes morreu nesta segunda-feira de cancro no pulmão. E a memória do tempo em que a profissão também significava felicidade está cada vez mais povoada de gente que, de algum modo, acabou por desaparecer.



P.S.: já depois de publicadas estas linhas, dou de frente com um belo texto de um outro grande cronista português, Fernando Madail, do DN, tal como a Cadi. Uma pequeníssima parte do que lá está reproduzido também faz parte de mim.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Um mentiroso compulsivo

O senhor primeiro-ministro continua a mentir. E mente tanto que, um dia destes, ainda sou tentado a pensar que José Sócrates, afinal, é um mentiroso compulsivo.

Declaração política, num debate na Assembleia da República, a propósito dos voos da CIA: "Nenhum membro do Governo autorizou ou recebeu um pedido de transferência de prisioneiros [para Guantánamo] (...) isso nunca aconteceu".

Blá-blá-blá, blá-blá-blá. Confira com a gravação:


Mas, afinal, a 23 de Maio deste mesmíssimo ano, eis senão quando surge uma revelação surpreendente: "O Governo confirmou a passagem por Portugal de 56 voos que iam para ou vinham da base de Guantánamo, onde os EUA têm um centro de detenção de prisioneiros estrangeiros sem a protecção jurídica de que beneficiariam em território americano, muitos deles transportados aparentemente de forma ilegal".

José Sócrates colocou mesmo Portugal na rota da infâmia e dessa imagem nunca se livrará!

sábado, 24 de maio de 2008

Sete minutos

Sete minutos é o tempo que a sonda Phoenix vai demorar para atingir a atmosfera de Marte, travar e atingir a superfície do planeta. Na NASA fala-se em "sete minutos de terror".

A memória, essa coisa prodigiosa, levou-me à mesma velocidade da Phoenix até à adolescência, e aos "Sete Minutos" de Irving Wallace, ao relato, pormenorizado, dos pensamentos de uma mulher durante os sete minutos de uma relação sexual que acaba em tribunal num verdadeiro julgamento à liberdade de expressão, em nome da moral e dos bons costumes.

E, logo a seguir, até uma notícia (onde terei eu lido isto já não recordo) que desenha os preliminares do orgasmo em sete minutos, ponto.

Não esqueço, pelo caminho, o relevo cabalístico do número.

Mas volto ao princípio para imaginar Phoenix a aterrar em Marte em rigorosos sete minutos, no exacto tempo que não consigo deixar de associar ao instante que, justamente, poderia ser o primeiro orgasmo da Humanidade.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Lata é o que é preciso

Em Portugal, o buraco entre os mais ricos e os mais pobres é tal que aqui é maior o fosso do que o que existe nos Estados Unidos da América!

Não é grande a revelação, para quem vive nos EUA, apenas uma constatação, digo eu, que vivo por aqui. Mas há um tal de Pedro Marques, de quem nunca ninguém ouviu falar mas que José Sócrates desencantou para secretário de Estado, que nos tranquiliza a todos, portugueses e americanos: afinal, os dados que serviram de base a um relatório de Bruxelas são de 2004 e, blá-blá-blá, agora já é tudo outra coisa!

É preciso muita lata!!!

Encosta-te a mim



Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim

Encosta-te a mim
Encosta-te a mim

Quero-te bem.

Encosta-te a mim.

(Letra e música de Jorge Palma)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

"Canta agora, filho da puta"

Mario Dominguez, de 73 anos, um coronel chileno na reforma, foi formalmente acusado pela justiça do seu país de ser o responsável pelo assassínio de Victor Jara, na esteira do golpe do general Augusto Pinochet, em 1973. Considerado um dos mais proeminentes representantes da "nova canção" latino-americana dos anos 60 e 70, era também um destacado militante comunista, apoiante do derrubado presidente democrata Salvador Allende. Capturado depois do golpe de 11 de Setembro de 1973, Jara foi levado por militares fiéis à junta para um estádio de futebol usado como campo de detenção. Documentação vinda a lume revelou que o cantor foi torturado, as suas mãos - com que tocava viola - esmagadas à coronhada e, finalmente, abatido a tiro.


Este é o timbre das notícias nos jornais do dia.
Pela minha parte prefiro recordar - foi assim que aprendi a estória, e desculpem as imprecisões históricas - que, após o golpe de 11 de Setembro (eis outro 11 de Setembro, tão grave como esse outro de que te estás a recordar, que a Comunicação Social insiste em apagar da memória!), Jara foi identificado nesse enorme campo de concentração em que fora transformado um estádio de futebol. "Canta agora, filho da puta", provocou, então, um militar (Mario Dominguez?) que pediu a exclusividade no comando da tortura a tão importante detido, ao cabo de quatro dias de porrada. Reza a estória, que aprendi da boca de um homem [que era, à época, dirigente da FNLA (Angola? Essa mesmo!) e ainda seria ministro de Estado] nada dado a mitologias esquerdistas, que o homem se ergueu e respondeu como sabia, a cantar:

(...)
Venceremos, venceremos,
Mil cadenas habrá que romper,
Venceremos, venceremos,
La miseria sabremos vencer.

Campesinos, soldados, mineros
La mujer de la patria también,
Estudiantes, empleados y obreros,
Cumpliremos con nuestro deber.

Sembraremos las tierras de gloria,
Socialista será el porvenir,
Todos juntos haremos la historia,
A cumplir, a cumplir, a cumplir
(...)


Reza a estória do meu início de juventude que Victor Jara foi morto imediatamente a seguir.
Já adulto aprendi, através da contraprova de vários testemunhos escritos e publicados, que, naqueles dias de pesadelo, Victor Jara escreveu o seu último poema:

Somos cinco mil
en esta pequeña parte de la ciudad
Somos cinco mil
¿Cuántos seremos en total
en las ciudades y en todo el país?
Sólo aquí, diez mil manos que siembran
y hacen andar las fábricas.

¡Cuánta humanidad
con hambre, frío, pánico, dolor,
presión moral, terror y locura!

Seis de los nuestros se perdieron
en el espacio de las estrellas.

Un muerto, un golpeado como jamás creí
se podría golpear a un ser humano.
Los otros cuatro quisieron quitarse todos los temores
uno saltando al vacío,
otro golpeándose la cabeza contra el muro,
pero todos con la mirada fija de la muerte.

¡Qué espanto causa el rostro del fascismo!
Llevan a cabo sus planes con precisión artera
sin importarles nada.
La sangre para ellos son medallas.
La matanza es acto de heroísmo.
¿Es éste el mundo que creaste, Dios mío?
¿Para esto tus siete días de asombro y de trabajo?
En estas cuatro murallas sólo existe un número
que no progresa,
que lentamente querrá más la muerte.

Pero de pronto me golpea la conciencia
y veo esta marea sin latido,
pero con el pulso de las máquinas
y los militares mostrando su rostro de matrona
lleno de dulzura.

¿Y México, Cuba y el mundo?
¡Que griten esta ignominia!
Somos diez mil manos menos
que no producen.
¿Cuántos somos en toda la Patria?
La sangre del compañero Presidente
golpea más fuerte que bombas y metrallas.
Así golpeará nuestro puño nuevamente.

¡Canto que mal me sales
cuando tengo que cantar espanto!
Espanto como el que vivo
como el que muero, espanto.
De verme entre tanto y tantos
momento del infinito
en que el silencio y el grito
son las metas de este canto.
Lo que veo nunca vi,
lo que he sentido y lo que siento
hará brotar el momento...



Neste prolegómeno à idade adulta continuo a recordar Victor Jara como sempre o ouvi. Assim: