terça-feira, 30 de setembro de 2008

A crise só será vencida em democracia

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos da América (EUA) “chumbou” o Plano Paulson, apresentado por George W. Bush e abençoado por Barack Obama e John McCain, que pretendia injectar 700 milhões de dólares no sistema financeiro do país.

Aparentemente, foram os próprios republicanos que roeram a corda a Bush/Paulson/Obama/McCain e, sem pestanejar, a democrata Nancy Pelosi, que preside à câmara, foi clara no que disse logo a seguir: “O que aconteceu hoje não pode ficar assim, temos de seguir em frente “. Até o nosso Teixeira dos Santos se apressou a dizer que as autoridades norte-americanas têm a “responsabilidade” de encontrar uma “rápida solução para resolver a crise financeira”.

Não sei o que acontecerá ao longo desta terça-feira, apesar de já estar agendada nova votação crucial para quinta-feira, mas seguramente será algo de dramático para todo o Mundo. Para o melhor e para o pior. Nem faço a mais pequena ideia da “poção mágica” que possa dar, ainda que relativa, tranquilidade às pessoas.

E não deixa de ser curioso que algumas das ideias expressas por pessoas muito responsáveis – George W. Bush, Nancy Pelosi, Barack Obama, John McCain, Teixeira dos Santos... – apontem, sem margem para grandes equívocos, para um caminho de imposição profundamente desrespeitadora dos mais elementares princípios da democracia, para algo que a União Europeia tentou (tentou?) ensaiar na sequência de outro “chumbo”, o “não” da Irlanda ao Tratado de Lisboa.

sábado, 27 de setembro de 2008

Paul Newman (1925-2008)

O meu mundo está mais pobre. Ontem perdeu uma das suas melhores pessoas.

Visão futurista na terra de Sócrates

O futuro a Magalhães pertence, um computador portátil para cada cidadão.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"Europa, Europa"



A única música possível, repetida até à exaustão, depois de "Europa, Europa", de Agnieszka Holland.
Já agora, como foi isto possível???

sábado, 20 de setembro de 2008

Gratuito financiado com “dinheiro roubado aos bancos”

Um tablóide de 20 páginas e uma tiragem de 200 mil exemplares chamado “Crisi” foi distribuído a 17 de Setembro nas ruas de Barcelona, informando que aquela seria a sua única aparição e que a edição fora financiada por “dinheiro roubado aos bancos”.

O(s) editor(es) da publicação explica(m) no artigo principal que a verba necessária para esta iniciativa foi obtida junto de 39 entidades bancárias através de 68 operações de crédito, ascendendo a 492 mil euros (mais de 500 mil se contarmos com os juros), cedidos sem quaisquer avais ou garantias num contexto de contratação de crédito e que, garante(m), “não serão pagos”.

“Esta é uma demonstração de como a banca promove o endividamento das famílias por cima de qualquer controlo ou de qualquer medida de prevenção de riscos e de sentido comum”, lê-se no “Crisi”, disponível também online, em
http://polaris.moviments.net:8000/es/crisi.

Certa de que o caso originará uma queixa-crime, a Federação de Sindicatos de Jornalistas de Espanha (Fesp) considera que, mais insólito do que a confissão do “Crisi” de que não vai pagar a dívida contraída, só mesmo o facto de a iniciativa não ter sido noticiada pelos grandes órgãos, embora isso talvez se deva ao conteúdo da publicação, que contém artigos sobre as relações entre os principais média espanhóis e a banca.


(Texto publicado no sítio do Sindicato de Jornalistas)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Os que também bramam, mas contra os negros de merda

Ponto um: tenho há muito as maiores dúvidas sobre o papel histórico que representam homens como Hugo Chávez ou Evo Morales. Não me parecem totós de todo - como, muitas vezes, se quer fazer crer -, nem se me afiguram como os iluminados como - outras vezes - são apresentados. Aceito, por isso, a forma simplista como Pacheco Pereira retrata a situação presente.

Ponto dois: o penúltimo parágrafo de um dos posts do Abrupto - "Os homens que bramam contra os ianques de merda" - é muitíssimo bem apanhado, perfeito, justo e equilibrado. Por isso, reproduzo-o aqui, com a devida vénia, mas com o pensamento nos deputados recentemente eleitos em Angola: "É verdade que foram legitimamente eleitos, mas convém lembrar que a democracia para existir não se basta no acto eleitoral, implica respeito pela lei, que eles violam todos os dias, e pluralismo político, que eles esmagam pela prepotência do estado e se for preciso, das massas arregimentadas nas ruas."

Ponto três: vou deduzir, espero que sem precipitações, que os que contribuíram para tão estranho processo eleitoral - incluindo aqui a campanha eleitoral, a votação e o apuramento de resultados - não sejam os que também bramam, mas contra os negros de merda!

Mais uma que me escapa

Aparentemente, o senhor ministro da Economia, Manuel Pinho, não tem grande margem de manobra para intervir na regulação do preço dos combustíveis. É o que se pode ler aqui.

Levando de boa fé o que dizem os senhores que falam Economês tão bem, ora digam lá, agora, se faz favor, por que motivo o raciocínio não se aplica, também, à Região Autónoma da Madeira? É que, aqui, é um tal de Alberto João Jardim que fixa os preços dos combustíveis.

Outra coisa que também não entendo

O Hélder foi ao site da OPEP e trouxe dois gráficos fabulosos. Vejam bem os valores e as datas, e atenta-se na curvatura da linha média... Dá que pensar, não dá?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Há qualquer coisa que não entendo

A Administração Bush (sim, por aqueles lados não se diz Governo Bush...) nacionalizou a AIG, para salvar a seguradora da falência e para travar (na medida do possível) o pânico instalado há algum tempo em Wall Street.

Aqui mesmo ao lado, no mesmo dia, o presidente da Confederação Espanhola das Organizações Empresariais pediu "um parêntesis na economia livre de mercado" e exigiu do Governo de Zapatero (sim, aqui não há Administração...) um papel intervencionista para travar a crise.

Como?! Será que os capitalistas (ou os seus representantes) andam a ler Karl Marx?

Para o Alto Hama

Li com atenção (quase) todos os post's do Alto Hama publicados durante a refrega eleitoral em Angola. A muitos abanei a cabeça negativamente, o Orlando foi, em alguns casos, muito além do que deveria, na linguagem, nas análises e na abordagem dos factos, mesmo dando-lhe o desconto que deve ser dado a quem observa a milhares de quilómetros de distância e com milhões de toneladas de amor e saudade no peito.

Hoje tive uma agradável surpresa, encontrei a melhor (mais bem escrita e documentada) reportagem sobre todo o processo eleitoral angolano e como suspeito que o Orlando não dê de imediato com ela aqui ficam os links: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Evidentemente, a autora tem defeitos e virtudes, como todos nós, ao fim e ao cabo.

Mas a leitura atenta daqueles documentos é imprescindível para comprender muito do que, nas últimas semanas, aconteceu em Angola.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Richard Wright (1943-2008)

A arquitectura não lhe era era uma arte estranha e, talvez por isso mesmo, teve um papel muito importante no "Time", o conceito, ao mesmo tempo, mais geométrico e redondo de toda a obra dos Pink Floyd. Richard Right chegou ao fim da sua caminhada, vencido, aos 65 anos de idade, pela força de um cancro que nunca silenciará os graves, os agudos e, sobretudo, a harmonia de um teclado irrepetível.

Muito daquilo a que se chama o som Pink Floyd a ele se fica a dever. Felizmente, pude vê-lo a actuar em Portugal, numa noite igual a milhares de outras por esse Mundo fora.

Dois anos depois da morte de Syd Barret, o inovador guitarrista elevado à categoria dos génios perdidos (e malditos) à força de tanto Mandrax, os Pink Floyd continuam a ficar mais pobres. É o avanço da marca do tempo, a força que me faz sentir cada vez mais pobre, pobre pela partida de (mais) um que me fez ser homem.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A pulhice sem nome do jornal "Público"

A capa do jornal "Público" de ontem, dia 3, é um caso de maldade requintada elevada ao sublime extremo da pulhice inqualificável sob o manto da aparente ingenuidade. O seu conteúdo e a sua imagem não são aqui reproduzidos deliberadamente - há atitudes que merecem o desprezo total, outras há que devem ser admiradas e seguidas, outras ainda que não suscitam comentários nem reflexão, e outras, por fim, que podem e devem ser mais ou menos aplaudidas ou rejeitadas, consoante os casos. A capa em questão é aviltante e, portanto, merece total reprovação pessoal.

Vejamos. Manchete a toda a largura da página: "Prisão de Paulo Pedroso obriga Estado a pagar a maior indemnização de sempre". Pós-título: "Sentença da Relação de Lisboa realça "erro grosseiro" que causou sofrimento para "toda a vida"". Imediatamente a seguir, também de lado a lado, lê-se "Ciência - Instabilidade amorosa dos homens é genética, diz novo estudo sueco", em título inserido na foto de um nu frontal da antiguidade grega recortado em pormenor, apenas tornando visível parte de uma mão, a linha de cintura e metade das coxas e, claro, o pénis e respectivos testículos.

A decisão do Tribunal da Relação de Lisboa - que, em primeira instância, dá razão à ilegalidade da prisão preventiva de Paulo Pedroso no âmbito do caso Casa Pia - merece o respeito de quem respeita todas as outras decisões da Justiça, mesmo aquelas que nos parecem menos justas. E, honestamente, eu não sei se esta decisão é justa, não tenho sequer competências para discutir tais coisas, e por esse lado dou-me por muito feliz. O que me faz infeliz é a associação indecorosa de uma notícia que iliba um homem - que, à época, tinha justificadas e legítimas ambições pessoais de carreira profissional e política nos órgãos do Estado ou de representação externa de Portugal - de várias acusações de abuso sexual ao pénis da Grécia antiga que, como se sabe, foi fértil em casos de homosexualidade com direito a relatos e reflexões, inclusive, na Bíblia. Nenhuma mente ingénua aguenta, sem um esgar malicioso, tão casual associação. Nem aquelas que acreditam piamente numa das mais conhecidas máximas do Padre Américo, precisamente!, essa que diz não existirem meninos maus...

O caso é grave. Em 2003, Portugal viveu dias de absoluta excepcionalidade, como aqui ficam retratados: há jovens que se diziam sexualmente abusados, há um homem, Paulo Pedroso, que foi destruído em público, há uma direcção política que foi literalmente decapitada. Se houve, ou não, cabala, está por demonstrar, embora do ponto de vista político esteja pessoalmente convicto dela, e estou à vontade para o afirmar até porque nunca, sequer, me senti próximo do Partido Socialista. Mas, cinco anos depois o que sobressai aos olhos das pessoas que passam nas ruas? Fica para a História a capa de um "jornal de referência", tido, até por mim!, como muito relevante para a Imprensa portuguesa, que pisa o risco, ultrapassa todas as marcas e, seguramente, também vai sair incólume deste "erro grosseiro".

Vejo aqui, portanto, um caso simbólico de pulhice inominável no rosto impávido e sereno de quem diz respeitar, e faz publicar!, princípios éticos. As picardias e as maldades fazem-se, claro está: nenhum jornalista está acima da sua própria natureza, enquanto ser humano. Mas sob o disfarce da interpretação dos factos não nos devemos ultrapassar a nós próprios, sob pena de perdermos, no imediato, a dignidade com que logramos construir o capital (humano, intelectual, ético e material) de que, afinal de contas, nos julgávamos feitos.

Enquanto assim for, passem bem sem mim.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Morreu Joaquim Castro Caldas


Sem ti, a cultura do Porto ficou ainda mais pobre.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A imagem que fica de Pequim

A menina da foto é linda e tem uma voz magnífica. Chama-se Yang Peiyi e foi a voz da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Há quem queira ter-lhe inventado dois "problemas" - rosto arredondado e dentição irregular -, mas é tudo uma treta medonha que os senhores do marketing-&-quejandos -lá-do-sítio inventaram em nome dessa coisa fantástica que os tempos modernos (o capitalismo?) inventaram: a imagem.

Esta é, por isso, a imagem que, para mim, fica de Pequim. A menos que a Vanessa e o Obikwelu consigam aviar a concorrência toda sem a deixar respirar...

domingo, 10 de agosto de 2008

sábado, 9 de agosto de 2008

Não me apetece ir procurar uma imagem de Moita Flores!

Anda meio mundo blogueiro nacional preocupado em saber se a Câmara Municipal de Santarém tem um presidente ou se a Câmara Municipal de Santarém tem um comentarista em permanência na SIC.

Percebo a questão, e também percebo que estamos a falar de crime, sangue, aquela coisa gordurosa a escorrer, a vermelho, apelativa e horrorosa, pelos cantos da boca quando nos enviam um sopapo bem aviado pelo olhos dentro, mas também não perco de vista que o distrito de Santarém é aquela coisa ali entalada no mapa entre Castelo Branco, Leiria, Lisboa e Setúbal, o que quer dizer isso mesmo, emparedada.

Gosto de ouvir o moço, bem parecido, verbo fácil, ar simpático, afável, quase familiar, com ideias académicas muito interessantes sobre a morte, e continuo sem esquecer que o homem cujo nome encabeçou a lista do PSD vitoriosa nas últimas autárquicas no concelho de Santarém representa mais de 28 mil cidadãos.

Os escalabitanos (e a rapaziada dos blogues) que me desculpem, mas o homem não deve ter muito que fazer... Claro que estou a avaliar pelas preocupações do meu presidente de Junta de Freguesia, que tem de dar conta de outros 48 mil cidadãos, que ainda por cima descarregam em cima dele as frustrações diárias de quem não se revê na Câmara Valentim Loureiro (há quem chame ao dito cujo 3.º barão de S. Cosme, mas isso é coisa que poderei explicar noutra altura) e que elegeram um Executivo de Junta PS, que fez um acordo pós-eleitoral com o Bloco de Esquerda...

Isto é, e por exemplo, se Marco Martins, de Red River Town!, percebesse algo de qualquer-coisa-não-interessa-o-quê já teria conseguido um lugar de comentarista, sei lá!, no Porto Canal (o quê?!?!?!), ao mesmo ritmo em que as opiniões de Moita Flores nos soariam a letra de música na telenovela da TVI (na SIC?, na RTP?). Mas como não sabe, declaradamente, ficamos a ver o Moita Flores a dizer que, ele sempre disse!, os pais-da-Maddie-têm-rabos-de-palha ou, em alternativa, que aqueles moços brasileiros do assalto ao banco coisa-e-tal, eu bem que vos tinha avisado, e por aí fora.

Grande país este.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ainda bem que não é o mesmo...

O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, é um homem que os tem no sítio, aos ditos cujos que aqui não são explicitados, apenas, por decoro. Parabéns ao Governo, parabéns a Rui Pereira, ainda bem que não é o mesmo que, há pouco mais de um mês, permitiu que o país ficasse virado do avesso.

sábado, 19 de julho de 2008

Desculpem qualquer coisinha

Hoje vou andar por aqui, algures no inferno...

A batida do coração

Phil Collins, Chester Thompson e Bill Bruford...
É para ouvir - desculpem pelo corte abrupto! - a batida original, a batida do coração!



P.S.: Gustavo!, ainda vou conseguir alguém com ritmo para Setembro... Nem que tenham de ser estes gajos...

terça-feira, 15 de julho de 2008

sábado, 12 de julho de 2008

O verdadeiro artista...

Procurava no Google uma imagem para um post sobre demagogia & eleitoralismo by José Sócrates. Admito que, por momentos, hesitei...

Primeiro, encontrei esta imagem...






(a de um homem triunfador e confiante)

Depois fui dar com esta...





(a de um homem indignado que não vê o seu esforço reconhecido nem os arguemntos entendidos)

Admiti como hipótese, de seguida, que pudesse estar a ser injusto...








(e encontrei um homem a meio caminho entre a fanfarronice e o forte aborrecimento, coitado!)

Mas, eis se não quando...








(encontro o mesmíssimo homem realmente chateado, com todas "aquelas" letras começadas por éfe...)

A seguir...









(dei de caras com um homem determinado no seu desígnio)

E, por fim, fez-se luz!: é mesmo esta a imagem que me faltava!!!











(Encontrei "o" verdadeiro demagogo em pessoa!)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pecado capital

O "voyeurismo" pacóvio é o pecado capital do Jornalismo!

Outra vez vez... circo!

Os títulos das jornais, às vezes até que têm graça..

Ah, ah, ah, ah, ah...

400 milhões de buracos negros!

2883 caracteres vazios de ideias...
Rui Rio
só poderá consegui-lo!

E quais são, afinal, as p*«»... das perguntas?!?!?!

Tudo lido, de fio a pavio..., e quais são, afinal, as p*«»... das perguntas?!?!?!

Circo

O senhor Teixeira diz que vai pedir explicações ao próprio e o senhor Pinho diz que a ASAE terá de dizer das suas. Ambos se esquecem das Finanças - do Fisco, senhores -, mas nós pagamos!!! Mesmo que a menina da bilha não vá lá a casa... Como é divertido este país.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

10 parágrafos de boa reportagem

Aqui fica a ligação para 10 parágrafos de boa reportagem, um naco de prosa tirado do caso mais vulgar do Mundo em pouco mais de duas ou três horas. Lê-se, fica-se a saber o essencial, a leitura é rápida e encadeada (até parece que o homem estava lá na hora certa, mas garanto não porque fumava um cigarro comigo a céu aberto) e ainda salpica a emoção dos minutos do horror. Os jornais precisam disto como de pão para a boca. E os seus leitores também.

Mas que pôrra de dia, hein?!

Há dias assim. De um esmorecimento implacável.

Um tipo compra o jornal e lê nas "gordas" três coisas absolutamente fantásticas: a Polícia Judiciária tem uma "secreta", instalada num armazém em Cascais, que faz escutas e vigilância à margem da lei; a Casa Branca diz que se enganou quando disse que Berlusconi lidera um país corrupto; afinal, a ida de Vale e Azevedo à polícia inglesa já estava combinada desde quinta-feira da semana passada.

Um tipo lê, relê, percebe que o jornal não está a brincar connosco, está simplesmente a noticiar o que de facto aconteceu, e fica perplexo. Ainda por cima, logo a seguir entende que, afinal de contas, já não-está outra vez!

Princípio do contraditório

Afinal, em que ficamos? A sociedade Estoril-Sol está ou não está na mira na investigação criminal?

Esperar de balde...

Rui Rio recandidata-se à presidência da Câmara Municipal do Porto e nem sequer precisa que os órgãos nacionais do seu partido digam se pode, ou não, assim ser. Já está anunciado, e com toda a frontalidade. As estruturas distritais do PSD e do CDS entenderam-se, e a quem coube o papel de moço do recado também não sobraram dúvidas - "Era o que mais haveria de faltar eu esperar por indicações nacionais", traduziu em Português claro e conciso Marco António Costa, essa coisa com duas pernas que passa a vida a insinuar-se aos jornalistas e à Comunicação Social sentada e que também é líder distrital do PSD/Porto.

Ora, assim sendo, talvez tenha chegado a hora de a Oposição aprender a ler nas entrelinhas. O PS, sozinho, nunca mais lá vai. O PCP, perdão!, a CDU também não. E o BE muito menos. Então, de que está a Oposição à espera? De alguma "fruta" que manche o lençol? Um "apito" que borre a escrita? Bem podem ficar sentados à espera, que vão esperar de balde... e, debalde, desesperar!

A imagem nacional de Rui Rio está colada à honestidade, ao trabalho e à simplicidade que soube "separar as águas" da cidade da sua fonte de corrupção e de mafiosidade (o clube...). E o todo nacional pouco se está a "lixar", acho que nem chega, sequer, a perceber, com o custo dessa imagem, porque não vive no Porto, não tem de levar com as "birras" pessoais, nem com o nepotismo e o terrorismo municipal em tudo o que devia ser área de intervenção cívica... dos cidadãos.

A Oposição (local e regional) não percebe - em nome, sabe-se lá de que interesses (nacionais?) - e os portuenses e o Norte que se lixem! Vão levar com mais Rui Rio.

Vão levar os portuenses com mais Rui Rio, e vão levar os portugueses com Rui Rio depois do PS perder a maioria absoluta na Assembleia da República, depois do Governo cair lá para 2011 e depois do PSD chutar Manuela Ferreira Leite (agora com delicadeza...). Aí vamos todos ficar cinzentos, feios e tristes, como está a cidade do Porto.

Pode ser que nessa altura se perceba o que está a acontecer.

domingo, 6 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Ai ouve?




Avós

Não tenho o livro, mas falaram-me de uma lenga-lenga simples, da autoria de Chema Heras, original, fresca e terna. Falaram-me, também, das ilustrações cuidadas e sugestivas de Rosa Osuna, que não conheço.
A história, devidamente surripiada na Internet e que aqui fica para quem dá nome ao texto, é sobe valores, sem falar neles, no essencial da vida.




Avós

Numa tarde de Primavera, estava o avô a regar a horta, quando viu chegar um carro que anunciava:

Esta noite haverá festa na praça do povo. Vinde todos bailar com os melhores músicos do país!

— Ouviste, Manuela? Esta noite temos baile!
— Sim, Manuel. Mas eu não vou. Já não sou menina para andar de festa em festa.
O avô não disse nada.
Olhou para o sol que estava quase a esconder-se no horizonte, e agachou-se para colher uma margarida que crescia por entre a erva.
Depois, foi junto da avó, deu-lhe a flor e disse:
— Porém, tu és muito bonita, Manuela. És tão bonita como o sol!
A avó sorriu e foi ver-se ao espelho.
— Não é verdade. Sou feia como uma galinha sem penas — disse ela, prendendo a margarida no cabelo.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol!

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó foi à casa de banho e, de uma bolsa, tirou um lápis.
— O que vais fazer com esse lápis? — perguntou o avô.
— Vou pintar os olhos, que os tenho tristes como uma noite sem lua.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite!

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó sorriu e pegou num pincel.
— O que vais fazer com esse pincel?
— Vou pintar as pestanas, que as tenho curtas como as patas de uma mosca.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada!

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó voltou a sorrir e, da prateleira, tirou um boião.
— O que vais fazer com esse boião?
— Vou pôr creme na pele, que a tenho enrugada como um figo seco.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada e a tua pele enrugada como as nozes de uma tarte.

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó voltou a sorrir, pousou o boião e pegou num baton.
— O que vais fazer com esse baton?
— Vou dar brilho aos meus lábios, que os tenho secos como a terra dos caminhos.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada e a tua pele enrugada como as nozes de uma tarte e os teus lábios secos como a areia do deserto.
E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó voltou a sorrir e foi à mesa-de-cabeceira e tirou de lá um frasco.
— O que vais fazer com esse frasco?
— Vou pintar o cabelo, que o tenho cinzento como uma nuvem de Outono.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada e a tua pele enrugada como as nozes de uma tarte e os teus lábios secos como a areia do deserto e o teu cabelo branco como uma nuvem de verão.

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó sorriu e foi ao armário buscar uma saia.
— O que vais fazer com essa saia?
— Vou esconder estas pernas, que as tenho magrinhas como agulhas.
— Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite e as tuas pestanas curtas como erva recém-cortada e a tua pele enrugada como as nozes de uma tarte, os teus lábios secos como areia do deserto, o teu cabelo branco como uma nuvem de verão e as tuas pernas magrinhas como uma andorinha.

E faz o favor de te apressar, que temos de ir bailar.

A avó guardou a saia, foi lavar a cara e sorriu diante do espelho. Depois agarrou-se ao braço do avô e os dois foram para o baile.
Quando chegaram, os músicos já estavam no palco, a tocar, e toda a gente estava a bailar.
O avô agarrou na avó pela cintura, e puseram-se a bailar. Depois, olhou profundamente nos olhos da avó e disse-lhe:
— Manuela, tens os olhos tristes e formosos como as estrelas da noite.
Então a avó olhou muito no fundo dos olhos do avô e viu que também ele tinha… os olhos tristes como as estrelas da noite e as pestanas curtas como erva recém-cortada e a pele enrugada como as nozes de uma tarte e os lábios secos como a areia do deserto e o cabelo branco como uma nuvem de verão e as pernas magrinhas como as de uma andorinha.
A avó agachou-se e apanhou uma margarida, prendeu-a ao casaco do avô e aconchegou-se no seu peito.
Depois, olhou para o céu, e voltou a olhar o avô bem nos olhos e sem deixar de dançar, disse:
— Manuel, és tão bonito como a lua!

terça-feira, 1 de julho de 2008

domingo, 29 de junho de 2008

Fools overture

E agora... algo de absolutamente inesperado!

Rodger Hodgson (Supertramp?), ou melhor, Supertramp (Rodger Hodgson?), na sua melhor composição de sempre, obra de arte (bem melhor que aquelas coisas de betão que nos deixam passar por cima, enquanto outros passam por baixo, e que denominamos do mesmo modo...), ao nível do que, em termos de música popular, colocamos no mesmo patamar que outros e justificados superlativos.

Dante no seu esplendor, ou a maquerda mais interessante dos últimos tempos

Encontro aqui um ideia, no mínimo, inovadora. A maqueta promete - ou será que é mesmo a maquerda que, à primeira, saiu do teclado? -, deve ser realmente muito interessante ter o carro estacionado, em permanência, voltado para o Sol, adormecer (e acordar...) com um raio de luar no canto direito dos olhos, ou só ver a tromba do patrão ao entardecer.

Só é pena que distintíssimos (e, quero acreditar que, principescamente bem pagos) arquitectos e engenheiros estejam a partilhar com o Mundo (e, portanto, com perigosos radicais, esquerdistas ou exactamente do oposto) ideias que podem, em tese, revolucionar os próximos objectivos da al-Qaeda. Sério! Alguém consegue imaginar a dantesca imagem do Capitólio a revirar-se sobre si próprio sem nunca se encontrar?!

Delírio meu? Muito bem, aguardemos pelos próximos meses.

sábado, 21 de junho de 2008

Biko



Vinte e nove anos depois, sempre actual!

San Jacinto



Uma relíquia ao jeito do vinho do Porto, quanto mais velho melhor!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Parem lá com o medo!

Não sei se o homem disse rigorosamente isto, numa Comissão Parlamentar de Educação sobre a violência nas escolas, mas há muito que, a propósito disto mesmo e também de muitas, muitas outras coisas, ando a dizê-lo e, sobretudo, a ouvi-lo de bocas bem mais avisadas. Por isso, repito-o: "Parem lá com o medo!"

Procura-se...


Quando era miúdo, lembro-me de tomar Aspirina, aquele comprimidinho branco, desajeitado porque grande e, ainda por cima, amargado que marava (pronto!, matava...) as dores de cabeça.

Já bem crescidinho encontrei-a na blogosfera, não marava coisa nenhuma, muito menos matava fosse lá o que fosse, mas ajudava a cabecinha a passar o dia de modo mais são (com outros preciosos e desinteressados contributos...).

Há dias, deixei de a ver. Alguém sabe dela?

terça-feira, 17 de junho de 2008

Curiosidades oriundas da América


Acabou com meses e meses de especulação e disse, preto no branco, que, neste momento, Barack Obama é o seu candidato.

Não deixa de ser curiosa esta afirmação, vindo do homem que, numa marosca que nunca ficará bem contada, com todos os pormenores, esteve para ser o presidente dos Estados Unidos da América, numa época em que, sabe-se hoje, era necessário, mais do que nunca, um homem minimamente inteligente na Casa Branca.

Não deixa de ser curioso, mas por razões diametralmente opostas, que, no mesmíssimo dia, o jornal Público (o de Espanha...) titule o seguinte: "Bush estabelece os seus objectivos sobre o Irão e justifica pela enémisa vez a invasão do Iraque".

sábado, 14 de junho de 2008

NÃO!

Uma excelente posta, aqui.

Robert Mugabe, um homem sincero, tem a minha admiração

Em política, e na vida em geral, a sinceridade tem um preço. Robert Mugabe é um homem sincero (não confundir sinceridade com honestidade, por favor...) e por isso ninguém ficará escandalizado se, no mínimo, levar com uma bala bem no meio dos olhos. Os africanos agradecem.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Fundamental! Mas alguém acredita?

Sem necessidade nenhuma, apenas e só aquela vaidadezinha arrogante a que já nos habituou, o homem voltou a meter as mãos pelos pés, os pés pelas patas, as patas pelo...
Enfim , por estes dias vale o circo mesmo sem pão. Fiquemos atentos às notícias sobre os resultados do referendo na Irlanda ao Tratado de Lisboa.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A quem aproveita, afinal, o banzé montado por todo o país?

À hora a que componho estas linhas decorre a mais aguardada reunião da Batalha da actualidade. Vão, ou não, os camionistas levantar a paralisação que, em três dias apenas, virou o país ao contrário?

Não me excito nem deixo de me entusiasmar com o protesto dos camionistas (e independentemente de ele ser, ou não legal). Estranho que as estruturas organizadas habitualmente envolvidas na defesa dos direitos dos seus associados (não, não me refiro, em exclsivo à CGTP...) estejam em silêncio absoluto, estranho a apatia do Governo (tanto tempo para reagir neste caso, em contraponto com a célere resposta que é sempre dada em tratando-se, por exemplo, de maquinistas dos caminhos-de-ferro, médicos ou pilotos da aviação civil), estranho, e sobretudo agora, o "entendimento" (ou será que foi "acordo"?) alcançado esta quarta-feira entre Governo e ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias), que sempre se opôs ao protesto.

As linhas gerais do "acordo" (ou será que foi "entendimento"?) entretanto divulgadas apontam para:

  1. portagens reduzidas, no período nocturno, para profissionais do sector do transporte de mercadorias;
  2. majoração das despesas de combustíveis para efeito de despesas em sede de IRC, num mínimo de 20%, a manutenção do valor do Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) em 2009, bem como o Imposto de Camionagem nos valores de 2007 durante os próximos três orçamentos do Estado;
  3. indexação do frete ao custo do aumento dos combustíveis;
  4. prazo máximo de 30 dias para pagamento de facturas dos transportadores, com coimas para os casos de incumprimento;
  5. forma especial de pagamento do IVA, já em vigor para o próximo ano fiscal;
  6. apoios específicos para a renovação de frotas e para o abate de veículos em fim de vida;
  7. e, subsídios para a formação profissional.
A lista é extensa e, aparentemente, o Governo foi de uma generosidade fantástica e inexcedível. É certo que o preço dos combustíveis não baixou, nem vai baixar, como os camionistas exigiam, mas o pacote do "entendimento"/"acordo" é vasto e dá (quase) para tudo.

Dá, inclusive, para os grandes transportadores - que nunca estiveram, recorde-se, ao lado desta paralisação - manterem intactos seus "índices de produtividade", leia-se, lucros. É certo que os fretes serão mais caros sempre que o gasóleo subir nas bombas e que terão de pagar serviços a 30 dias, mas a majoração das despesas de combustíveis, a forma especial de pagamento do IVA e, sobretudo, os apoios à renovação de frotas beneficiarão, essencialmente, os detentores de muitos veículos, quantos mais melhor.

Por isso continuo sem excitações nem entusiasmos, e na expectativa do que sairá, com efeitos práticos, da reunião à porta fechada da Batalha - a paralisação é dos pequenos e médios empresários, ou estes foram devidamente instrumentalizados? A quem aproveita, afinal, o banzé montado por todo o país?